O Diário de Teegoh – Semana 34

Devo admitir que ela não figura as apelações do inferno. Mais parece um pônei de circo, que entre sua educação primorosa e suas plumas e enfeites, ela deve ser um pouco acima de um espetáculo programado. Tão pacíficos são seus gestos que assustar-me-ia vê-la revoltada com algo. Ela nasceu para ser domada, seja pelo pai, pelos irmãos, e agora, pelo futuro marido. Confesso que isso não é de todo ruim. Para mim.

Não reconheço a menina que um dia as sardas do rosto foram-me motivos suficientes para enterrar a alma dela entre minhas chacotas. Hoje, ela é tão refinada que talvez não haja mais lágrimas em seus olhos, ou então, todas elas já se foram. Derramadas.

Por outro lado, não reconheço minha mãe, apesar de seu gosto peculiar por grandes vestidos continuar o mesmo. Ela, de algum modo, esta espremida entre os medos das incertezas políticas e as rugas em seu rosto. Por um segundo, apesar de discordar veemente das suas atitudes, eu a compreendo.

Por fim, difícil não é saber o que é o certo, e sim aplicá-lo na maculada realidade.

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