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Mostrando postagens de Abril, 2017

Reflexos

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O que vejo engulo. Toda sua baça forma, incorpórea cor. O tempo reflete gordura e carne na exatidão do caos E a leviana fé entende o erro e pressupõe que não houve. Jogo mais com cautela, os preâmbulos das virtudes vis Pois fui dono dos pecados prejulgados de outrora
Estendo a finitude de um lago, cujos contornos vemos Somente para você se experimentar se ver em mim. As águas são cálidas, como o suspiro final do moribundo E seu cheiro, um último e acre vislumbre da contrição.
Em mim morava um jovem que se afogou na culpa E a escuridão dos sonhos fez apenas dias cinzentos. Emergindo a velha companheira de toque impossível Que veste a solidão em cada nó dos seus cachecóis. 
Jurei cuidar da tua virgindade os assuntos do mundo Para preservar a ingenuidade do pessimismo de seu eu. Garanti o reflexo perfeito de um fragmento do adeus Que teima em segurar os véus de um cadáver iludido E então dizer que há luz onde só vejo escuridão.

Tatuagem

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Se caso repousar em um campo inacessível aos olhos, pode encontrar a singeleza de ter uma surpresa a cada sussurro. Onde o esquecimento se faz necessário apenas para alegrar os dias que se depara com ela lá, cravada em suas costas com linhas e alguns sinais dos hormônios e idade.
Nua está, aquela bela menina, apenas sozinha dos outros dela mesma. Mas dorme amparada numa contextura de linhas que indicam todos os lados possíveis da ilusão de ser todas as nossas escolhas. Ela descansa! Pois nem o silêncio do vazio incomoda o sono profundo de um ser guardado pelo medo.
O lobo a preenche como em uma dança. Ele é sorrateiro e não perde o controle dos passos que não fazem ruídos e nem deixam sinais. Ele anda pelas faltas entre um devaneio e um surto e os preenche com o calor do toque, apenas para alimentar a ilusão que o amor é uma possibilidade.
Os sonhos salteiam em todas as direções, são prolíferos profícuos profanadores das alegrias, que carregam a ausência de um pai, mas a alegria da m…