O Diário de Teegoh – Semana 30

Essa semana o zelador da ala de alojamentos onde eu habito morreu de um ataque no coração. Este até então quase moribundo senhor, que em suas pernas tortas a mancar para lá e para cá o tempo todo, mal conseguia manter-se em pé. Às vezes ele me perguntava sobre as cores das roupas intimas das alunas ou então se eu tinha algum cigarro para passar-lhe. Um típico senhor solitário que gostava de conversar comigo e mais outros tantos alunos... Não entendo, contudo, os motivos que o levaram a deixar justamente para mim tal presente. Ah, e é evidente que ele sabia da visita da morte, pois deixara cada um de seus míseros resquícios materiais como presentes, embrulhados e amarrados com fitas coloridas.

Um olhar penetrante, contudo plácido, como se soubesse o que lhe esperava logo à frente. Uma guerreira em forma de menina na neve. Tão branca... parece morta. Congelada. Seu sorriso talvez mais enigmático do que o da própria Mona lisa, parece espraiar-se frente ao incontestável destino da imortalidade. Seria a pequena vendedora de fósforos? Não há assinatura a obra, porém seu valor é inegável. Quem teria sido o pintor e porque essa obra chegou até mim? Tanto mistério em torno de um pedaço de pano pintado. Enfim, um presente de todo inusitado. Que decidi guardar.

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