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Mostrando postagens de Dezembro, 2007

Um presente compartilhado

É um limiar bastante estreito este mundo com o mundo de quem vos fala neste instante através destas palavras frouxas. Às vezes, tenho a vontade de escrever o que sinto... às vezes tenho vontade de escrever o que penso... mas nunca eu consigo alcançar um bom resultado, pois o que penso e o que sinto são tão superiores que não consigo exprimi-los em palavras, muito menos em gestos.

Eu sei qual é a coisa mais bela, a flor mais cheirosa, a música mais harmoniosa, o desenho mais perfeito... sei como acabar com todos os problemas do mundo, sei como acabar com a fome e com a pobreza... só não sei como passar isto tudo da minha mente para o real.

E neste dia, acho que devo abrir as portas do meu castelo de cristal para o menino que faz parte de mim, mas de mim do mundo de cá (ou de lá, depende de onde você queira ver). É muito fácil se indignar...sofrer e chorar com a corrosão do mundo, contudo, pra que serve a tristeza, indignação, revolta, raiva, se não aprendemos dela um modo de olhar o azul…

Um Adeus...

Quero parar por um momento e ser forte com eles...
Quero parar este momento e fingir que amanhã o verei outra vez...
Quero parar este momento e sentir de novo o cheiro dos incensos do seu quarto

Ouvir seus discos...
Ouvir suas histórias...

Ver a Bethânia...

Contar-te minha primeira vez e receber um sorriso de volta com o apoio...

Queria ver-te no próximo mês...
Queria comemorar mais uma de suas tantas vitórias...

Queria abraçar-te e pedir desculpas pelas vezes que, por banalidades, me zanguei contigo...

Falam-me de luta, de fé, de esperança... mas neste momento o que tenho não passa de um obscuro acanto de tristeza, desenhado em traços magros, mas puros de energia...

Falam-me de força, de harmonia... mas o mundo nunca mais será o mesmo pois um dos bons se foi...

Meu Deus! Ainda não entendo a vida, muito menos a morte... se tudo é um ciclo, não sei porque tem que doer tanto dizer adeus...

Adeus moço... reclino-me à dor deste adeus, mas lhe tenho em meu coração.

Não entendo! Indigno-me, contudo, comp…

Um

Sou um. Uma única folha em branco quando nasci, pronto para descarregar os traços dos sonhos. Nasci sozinho e por mais que eu tenha vínculos tão fortes com algumas pessoas, iguais ao cordão umbilical que unia-me à minha mãe. Sou um único ser, sou sozinho e sou responsável por mim mesmo desde o momento que o verbo se tornou matéria.
Sou um. Morrerei sozinho e enfrentarei o além sozinho. Posto que irei para o mesmo lugar que estive antes de nascer. Não me julgaram, ninguém me julgará. Pois não há julgamento maior e mais punitivo que a minha própria consciência de mim mesmo.
Sou um. Meus atos hoje, por mais influenciados por fatores mil, sou o único responsável pelas minhas escolhas e tenho o direito, ou melhor, o dever de exprimir a minha raiva por sentir-me culpado por sentir-me uma fraqueza que queima meu coração.
Entender o que preciso? Meu Deus, nunca me senti tão sozinho nesta vida! E, pior do que sentir-me assim é sentir raiva por assim ser! Ao mesmo tempo, percebo que algumas coisas…

O lamento de Borrões

Posso até ser um dia aquilo que sempre diz não ser, pois hoje vejo e enxergo quase tudo, mas enxergo aquilo que não quis ver. Sou canto, sou graça, sou voz e sou poesia! Sou boniquinho de luxo, e de todos um dia serei o encanto dos minutos.

Eu danço para lá e para cá... Trago para perto o que quero, mas não consigo afastar o que quero.
Eu danço para lá e para cá... Danço como ele, danço como ela. Danço com ele, danço com ela. Dando com eles e com elas... Apenas danço, pois no final da festa não mais dançarei, todos estarão cansados! Todos eles estarão cansados! Menos eu!

Pois sou canto, sou graça, sou voz e sou poesia! Eu sou eu e eu sou de ninguém! Outro dia, me encantaram com a beleza que antes não conhecia... Disseram-me que tudo o que eu queria estaria por trás daquela quimera. Posto que a inocência toca as entranhas deste varão que voz fala, a lábia daquele que me dissera o que eu quis ouvir soou como a armadilha do perfume de medula, mas era na carne d’uma raposa que se materializa…

Para a Primavera Que Um Dia Virá

Chuva chova e molhe o mundo, deixe-me dizer quem eu sou
Chuva chova e traga as coisas que um dia se perdeu
Chuva chova e viva no calcário duro dessas terras

Onde um dia morreram inocentes,
Onde um dia mentiras foram ditas,
Onde um dia o amor não existiu.

Eu sou de ninguém.... Eu sou de ninguém...

Chuva mata a sede de quem tem gana de vida
Chuva mata o sal e traga a colheita de cores
Chuva mata o mal e molhe as flores do mundo

Cante a alegria e as horas do amanhecer
Cante a diáspora e traga o mel das abelhas
Cante os cantos dos arcanjos e voe sem parar

Eu sou de ninguém... Eu sou de ninguém...

Chuva brote do chão e se transforme em fogo
Chuva brote tudo menos mais violência
Chuva brote tudo,seja no céu ou na terra

Brinque pois a criança ainda vive
Brinque pois o mundo esta a amanhecer
Brinque pois o que nos restará amanhã?

Eu sou de ninguém... Eu sou de ninguém....

Eu sou....

Eu sou...

Eu...

O Entender

Ele só queria entender porque tanta contradição dentro dele mesmo.

Ele queria entender porque tem coisas que para ele é de um modo e para os outros tem que ser de outro.

Ele queria só entender porque em sua pele o mundo é mais assim e na pele do outro ele se torna o oposto daquilo que é. Ou pensa que é. Ilude-se.