Postura

Vou abrir uma garrafa de vinho e você vai me amar. Não se importará e nem vai querer descobrir se os sentidos que lhe causam o descontentamento pois o sabor do vinho no teu paladar envaidece os sentidos e lhe veste bem a necessidade de se embrenhar na simples necessidade do gozo vertiginoso.

Minhas pernas não bastarão para te segurar junto a mim. Soube disso desde o primeiro encontro. Mas deixei conduzir-me pelo eterno segundo em que suas lágrimas e pragas rogadas para ele foram profanadas, e no meu ombro que elas caíram.

Não me importo em ser o passageiro gesto do teu desespero. Este casual encontro foi desenhado para afogar os fantasmas ainda vivos de uma história que já acabou mesmo sem você querer. E sofrer. Mesmo que meu amor valha menos que o broto de uma erva daninha é o teu cheiro e teu sexo que perfuma meu quarto e meus pensamentos no agora.

E vislumbro uma rara felicidade implícita, incrustada na minha pele, quando lhe sou o outro. O teu corpo veste o meu de desejo e se espraia na tua necessidade de dominação.

Deixo o vislumbre de uma verdade não hipócrita e danço nas importâncias dessa vida, até a das mais banais. O que me importa não é o que se escreve no roteiro do filme ou um conto de horror: seja na alegria de um final "felizes para sempre" ou um adeus, no fundo, todos caminhos me levam a mim mesmo e minha história de ti é mais imortal do que qualquer para sempre. 

Percebo e assumo que mais me vale a incerteza chance de um romance fenecido na esquina dos amores passageiros do que uma vida sem ser vivida.

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