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Das coisas que costumamos guardar e nunca confessar.

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Sou o bibelô que enfeita tua galeria de possibilidades para ilustrar um senso de vantagem.  Enquanto ela faz o mundo acabar com você e você continua apenas dançando em transe. Vejo teus passos tortos, vejo teus dias arrastados entre o tedio e o marasmo. Te adoro. Pois você me disse certa vez: Ignora que passa. Mas você não me ensinou a te ignorar E me pergunto: quem é você? Seria invenção da minha cabeça o que vejo?
Você continua dançando entre as fumaças que exala e as promessas do amanhã. Ela é o alvo da vontade proscrita. Como uma máscara que não se encaixa na face dela. Enquanto eu sou carência em forma de querer fazer diferente e provar que sou bom. Enquanto, pateticamente, me derreto a cada monossilábica palavra que me profere.
Me lembro das vezes que estávamos juntos e me dói quando me trata como um estranho Pois sei que a tua dedicação e zelo por ela é proporcional ao desprezo que sobra para mim. Não me importo, pois sei que não só de flores vive você: para mim, reserva a lib…

Reflexos

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O que vejo engulo. Toda sua baça forma, incorpórea cor. O tempo reflete gordura e carne na exatidão do caos E a leviana fé entende o erro e pressupõe que não houve. Jogo mais com cautela, os preâmbulos das virtudes vis Pois fui dono dos pecados prejulgados de outrora
Estendo a finitude de um lago, cujos contornos vemos Somente para você se experimentar se ver em mim. As águas são cálidas, como o suspiro final do moribundo E seu cheiro, um último e acre vislumbre da contrição.
Em mim morava um jovem que se afogou na culpa E a escuridão dos sonhos fez apenas dias cinzentos. Emergindo a velha companheira de toque impossível Que veste a solidão em cada nó dos seus cachecóis. 
Jurei cuidar da tua virgindade os assuntos do mundo Para preservar a ingenuidade do pessimismo de seu eu. Garanti o reflexo perfeito de um fragmento do adeus Que teima em segurar os véus de um cadáver iludido E então dizer que há luz onde só vejo escuridão.

Tatuagem

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Se caso repousar em um campo inacessível aos olhos, pode encontrar a singeleza de ter uma surpresa a cada sussurro. Onde o esquecimento se faz necessário apenas para alegrar os dias que se depara com ela lá, cravada em suas costas com linhas e alguns sinais dos hormônios e idade.
Nua está, aquela bela menina, apenas sozinha dos outros dela mesma. Mas dorme amparada numa contextura de linhas que indicam todos os lados possíveis da ilusão de ser todas as nossas escolhas. Ela descansa! Pois nem o silêncio do vazio incomoda o sono profundo de um ser guardado pelo medo.
O lobo a preenche como em uma dança. Ele é sorrateiro e não perde o controle dos passos que não fazem ruídos e nem deixam sinais. Ele anda pelas faltas entre um devaneio e um surto e os preenche com o calor do toque, apenas para alimentar a ilusão que o amor é uma possibilidade.
Os sonhos salteiam em todas as direções, são prolíferos profícuos profanadores das alegrias, que carregam a ausência de um pai, mas a alegria da m…

Um dia azulado

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Inquieto amigo, eu te conheço há algum tempo. Sei qual são os sons que você é capaz de fazer mesmo no silêncio de mil pessoas. Hoje você voltou e decidiu ocupar toda a minha cama. Mas só tem espaço para uma pessoa.

Sei que te decepcionei. Não sou mais o mesmo, apesar de ter essa insistente capacidade de engordar para os lados que me perdem. Eu sei que me esvaziei em alguma escolha. Eu sei que te deixei no momento em que mais eu te amava. Querido amigo, por favor, me desculpe.

Não importa o quanto ando. As ruas continuam frias e os olhos pálidos me escondem. Outro dia tentei ser invisível e acho que consegui. As pessoas não me veem ou talvez eu só tenho essa necessidade insuportável de ser notado por ser bom em não fazer nada.

As pessoas me cobram as melhores frases e as melhores festas e eu só quero ficar quieto. Obrigado por vir me ver querido amigo. Mas a tua presença me destrói. Sua face é a minha face, só que mil vezes melhor. Sou a tua versão esvaziada de sentido.

Onde está o meu…

Gentileza

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Caso eu pudesse registrar um conselho para mim mesmo, este seria: seja gentil. A gentileza é um dos mais poderosos mecanismos humanos, ela tem o poder de transformar os fatos que estariam fadados ao insucesso, caso um outro temperamento o guiasse. Com certeza devem haver vários estudos que comprove isso!
Seja gentil consigo mesmo. Seja gentil com suas falhas e exageros. Aos trinta e poucos anos você já tem a noção que o mundo não será como queria que ele fosse, mas ele também não precisa ser um desastre total. Você tem alguma noção do que é e vislumbra as fronteiras daquilo que pode ser.
Ter para si que nenhuma convicção é infalível também é gentileza. Mesmo necessitando desses nortes para se guiar em meio ao caos de ser quem é e imagino continuar sendo até o teu último instante. Seja gentil quando o teu mundo se rebelar contra você e decidir sentir o gosto de sal de outros mares.
A gentileza é, por natureza, o contrário da culpa. A sina da suprema felicidade nos pressiona a vestir r…

Carta de um aborto

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Aos poucos, a voz foi baixando, justo quando me levanto da mesa de almoço. As travessas ainda pesadas das medidas perdidas, cuja única vantagem era poder alimentar qualquer esperança perdida de entendimento. Ele não olhou para os meus olhos em momento algum. Havia medo em se reconhecer, ou eu lhe causava todos os rancores possíveis. Aqueles rancores que mesmo quando caídos no deslembro, ainda se faz presente no nosso temperamento e se tornam engrenagens das inseguranças e invejas alheia.
As lagrimas vieram e eu não queria me acostumar vê-lo chorar. Mas a rotina nos traz apenas lágrimas entre as pontes intermináveis de silêncio entre um encontro e outro. Ele acendia o cigarro para tentar se acalmar. A voz se esvaziava algumas vezes, enquanto tentava brigar por espaço com as lagrimas. Nunca imaginei que poderia ser o passado tão presente, mesmo que quando todos desejam dias melhores. Enquanto eu me preocupava apenas em não me olhar no espelho das palavras, mesmo dedilhando em alguma co…

Sobre

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Desculpe. Está difícil resistir a todas essas nuances de você. Sou eu quem não acredita no amor, sou eu quem não consegue tirar os olhos de você. Vamos lá, olhe para mim. Neste e em todos os próximos momentos possíveis. Olhe com olhos de fome, cuja única vontade é vir me dizer todas as mais mundanas das palavras. Esqueçamos por alguns instantes que nada disso terá consequências. Não sejamos cristãos. Não mais.
Estou sendo repetitivo. Não me importo. Se canse das minhas soluções improváveis para sermos dois. Sou a esperança termina quando começa a vida que criamos. Esqueça os meus monstros. Eles só ameaçam a existência deste imbecil que vomita inconsequências. Mas, veja bem, o teu nome pode ter qualquer ou todas as letras que existem, mas eu só me importo com aquilo que pode ser inventado. 
Desculpe. Sei que sou trovão, as vezes assusto, mas o que seria eu se não o patético resquício daquilo que não existe mais? Sou aquilo que já se foi. Faço barulho. Mas, se pudesse causar qualquer d…