segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Os Quatro Fastasmas do Natal (Parte 4)


Fiz desta vida um jogo de lugares
Onde meu destino era o amanhecer
Voei longe para descobrir os azares
De querer saber o que era o entender

Busquei o abraço acolhedor de milhares
E de todos que tomei, poucos pude ver
Um sentido além dos precários pilares
Para amenizar a carência deste vazio ser.

Foi com a cor do movimento que me fiz viril
E consegui cantar junto dos reis imaginados
Num banquete farto de um mundo febril.

Mas a beleza das minhas asas tornara-se vil
E meus passos das musicas foram separados.
Falece sozinho o sonhador de um sonho juvenil.


Brigar com a alma é perder a essência
Adorar as regras é assumir sua pequenez
És solidão

domingo, 20 de dezembro de 2009

Os Quatro Fastasmas do Natal (Parte 3)


Sábios devaneios, naquela noite não contida
Onde a música enaltecia os sonhos do sentido
fazendo a alma agitar-se no ritmo da batida
e o corpo desnudar-se ao estar entorpecido

Mirei os olhos da fada verde, enquanto ermida
No bojo de palavras tortas e doces, havia sido.
Pulei nos céus dos teus beijos fartos de vida
Caindo no sabor fácil da boemia acometida.

Daquela festa, os prazeres se enfileiravam
Ao gosto e gesto dos fregueses exigentes
Mas até as noites para os dias se quedavam.

E assim os doces sabores se transformavam
Em lembranças nostálgicas e prepotentes
De despedidas que nunca se acabavam.



Não se enxerga sem antes conhecer a escuridão
Não se extasia sem pular no ritmo dos sentidos.
És diversão

sábado, 19 de dezembro de 2009

Os Quatro Fastasmas do Natal (Parte 2)



Sou terço de ti, que um dia sentirás saudade
Pois nosso tempo sonda a tristeza do adeus
Guiam-nos nas certezas incertas da maturidade
De um filho quem sabe, ou na busca por Deus.

Quero que desfrute da minha insana integridade
Entre estes lapsos e motins desses versos meus
Pois cogito ser o néctar desta nossa doce idade
A amarga constatação de fantasiosos apogeus

E como sobra a intenção em chama bendita
Criará o cristal, das tuas boas lembranças
E fará a jazida de uma memória bonita

Sem questionar a pungente agonia finita
Que finca teu coração de vis esperanças
Terá em ti o nós na tua bela escrita



Não há conhecimento sem profundidade
Não há integridade sem paradigmas.
És amizade.


sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Os Quatro Fastasmas do Natal (Parte 1)


Se de mim, o gosto entre teus lábios sentira
Sabes que não há semelhante suave sabor
E meu encanto não somente toca tua lira
Mas desnuda a pele macia do teu furor.

Tu apreendes os gestos e às nuvens se atira
Voa encantado por rumos de ti, sem temor.
Vive o segundo interminável desta mentira
Até perceber-se como um grande desafiador.

Desconhece a fragilidade das tuas asas
Mas brinca de desbravar o desconhecido
Perde o medo de achar entre as brasas

Canta curiosidades e ignora as defasas
E toca o corpo de Eros de modo atrevido
Para encontrar respostas em tabulas rasas



Não se perde, pois não tem onde queira chegar.
Não se ganha, porque não tem o que perder.
És liberdade.


sábado, 5 de dezembro de 2009

Ingênuo

Brinquedo de sonhar e esquecer a realidade.
Jogo de palavras cruzadas, tortas todas são...
Mas do que é feito toda essa nossa verdade,
Se não de um pouco de tudo da nossa ilusão?

Somos brincalhões nessa tenra e torpe idade.
Entre brincadeiras fúteis, que depois se vão.
E jogados para o alto, entre o vulgar e a vaidade.
Para procurar quem é, ou uma outra versão.

A pele pode revelar o perfume e a sensualidade
O toque torna-se o gesto do desejo e da intenção
Desnuda os pudores de quem busca intensidade,
De quem sonha com o mar de fulgor, de paixão.

E se o pecado é um dos signos dessa cidade,
Busco o silêncio de um brinquedo de condão
Mas o charme do desconhecido traz fogosidade
E eu brinco de ser todas as cores dessa volição.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Assim como eu

Percebe os pés das crianças, aos passos ligeiros caminhar. O tempo brinca em derramar as folhas secas e os mais velhos se vão para sempre. Os mais novos se vão e você assiste ao espetáculo da morte na poltrona privilegiada

Você delicia-se com a engenhosidade das colocações: as ninfas apresentam as relativas horas a correr... são elas também ingênuas crianças que dançam descompromissadamente aos sons das despedidas. Elas são belas e cegas.

Enquanto isso você percebe-se exatamente como é: um expectador da morte. Espera. Ensaia. Revolta-se contra o enredo... Mas, ao sétimo sinal, mesmo sem saber como, sobe ao palco e nunca mais saberá se estava ou não preparado para tal atitude.

Você se despede daqueles que ama, sem dizer que os amam. Você não chora, pois é incapaz de se expressar. Você desmancha-se entre os vermes da terra. E volta exatamente para onde você saiu.

Existência vil. Perguntaria se valeu a pena. O milagre da vida, de tão incompreensível e improvável torna-se brincadeira de criança a correr e rodopiar entre pedras. E você lê o jornal, comenta o escândalo, trai a si mesmo e morre sem saber nada. Assim como eu.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Luck

Um dia, sem pensar, fui atrás de uma pergunta. Conheci o mundo sem por os pés para fora de mim. Passei por tantas coisas que não devo nem começar a mencioná-las. Insignificantes são. Vivi em ti e nunca esquecerei dos sonhos, de quando eram os meus. Agora eles se foram.

Não há como falar. As letras cortam meus dedos ao dançarem descalças no salão da minha alma. E se a negação torna-se forte, como um fato indescritível, só resta-me, entre minhas palavras, brincar em não acreditar no que foi traçado. Sou o dono da locomotiva que destrói castelos de vidros, mas não sou de abandonar minha morada, por mais frágil que ela seja.

Mas tão belo é o teu sorriso em minha mente. És real? Parece-me tão belo o teu sorriso! Posso sentir ainda o perfume que não existe, você vem calmamente e abraça-me... você desaparece entre as brumas dos meus sonhos. Você morre.

Rego as tulipas, pois amanhã será o inverno e elas partirão de mim.

domingo, 29 de novembro de 2009

O Diário de Teegoh – Semana 19

Já não entendo os motivos que me moveram à esta insana busca. Qual é o preço a se pagar... Por Deus, conto a felicidade como se fosse mercadoria a se comprar! Quantos sorrisos mais terei que dar para as donzelas desse reino de bestas? São elas tão frias quanto seus pais e maridos. Tolas.

Não acredito mais na felicidade. Um dia pensei ter encontrado o meu objetivo. Fiz eu dele um corredor de obsessões. Mas meus sentimentos são confusos e não quero mais brincar. Quero deixar esse palácio de horrores disfarçados. A fumaça que escapa dos charutos dos comandantes são tão desprezíveis e insuportáveis como contemplar a fumaça da fogueira dos soldados mortos.

Tenho que admitir, ele se foi. Resta-me ainda admitir o que se fica. O que devo fazer com tudo isso aqui? Despejar no mar... Queimar no fogo... saltar num precipício... sucumbir-me para talvez te encontrar em um outro lugar mais agradável. Em terras de monstros, a morte é a maior dádiva.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Saudade

O acaso desta canção é o desenho da minha tristeza
Que se fez nas ondas e naquele papel partido perdido,
Ao lembrar-me da tua voz furtiva, como rara beleza
Calei-me ao contemplar aquele nosso sonho contido.

Porém, quem sabe talvez, ainda haja uma certeza!
E o amor que um dia me jurou, hoje adormecido,
Seja capaz de abrir os olhos, num ato de delicadeza
E aquilo que era impossível tornar-se-ia acontecido.

Se faltar paciência, serei a harmonia.
Se sobrarem as dúvidas, serei a compreensão.
Se acabar os sonhos, construiremos os nossos.

Se abolir a vontade, eu sorrirei pra ti.
Se parar os movimentos, serei teu caminho.
Se quiser chorar, um soco, te darei.

Te amo.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Prólogo

Brinquedo de papel, pra dizer sobre as coisas reprimidas e sobre tantos outros mundos desenhados, cortados, pintados e colados.... perdidos enfim, no silêncio e solidão.

Um menino descobre o mundo nos moldes que ele mesmo criou. Em suas aventuras ingênuas por debaixo d’água e para além de marte. Lugares mortos pelos homens.

Um menino cria seu castelo e lá vive uma eternidade. Constrói seus sonhos, que tornam-se metas e se perdem entre o caminho todo. Transformam-se em espuma.

Boneco de papel, figura de luxo e rara. Palavras proferidas em gestos mudos e olhares perdidos. Minha vida é contada num cenário fingido. Sou o ator de uma farsa.

domingo, 13 de setembro de 2009

Liberdade

De repente você se pergunta: o que és neste mundo?
Onde estão as borboletas de nossa intimidade?
Onde estarão as palavras daquela nossa verdade?
Não há mais paz nem sossego neste silêncio imundo.

Nessa imensidão, tantas coisas pra dizer e fazer
E só penso em você... que se faz tão dura comigo.
Nunca deixar de ser um bom e sincero amigo.
Penso nos teus braços buscar o azul e permanecer.

Mas se és volátil, sem lugar, sem cor, sem gosto.
Explica-me, por favor, porque dói tanto gostar.
Gosto de pensar em ti, mesmo sem saber o que é amar.
Gosto de sonhar contigo, mesmo sendo eu um tosco.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Perdido

Lá... bem longe, perto apenas das idéias nunca reveladas e dos cantos impronunciáveis eu passei aquela noite. Num ato que parecia ingênuo ser, no meio das montanhas de livros em branco, e assim por acaso você encontrei numa brincadeira nada infantil.

Pouco se passa, o encanto se instala, a voz se apresenta e as ilusões dançam sem as preocupações de um adulto em formação (de algo). Mas, como todo canto, o dote era mais inebriante do que os longos e frios dias de agosto.

Sem pestanejar, a música silenciosa anunciava a chegada da grande valsa. Naquele salão, as velas davam o tom de solenidade e eu estava à tua espera. Meu sexo era teu e nem a pior das crises poderia atingir-me naquele instante.

A poucos passos de sentir o teu perfume, o balanço das chamas cantarola entre mil aromas diferentes, elas são graciosamente tocadas pelo vento do luar, e assim tornam-se fiéis expectadoras de um baile sobre mim mesmo.

Trajando apenas a sombra da noite, mas tocado pelo brilho das luzes dançantes das velas, caminhava em sua direção, pois sabia que o sonho era etéreo e a conclusão absoluta inevitavelmente seria.

Por mais que tentasse me enganar, eu conhecia aqueles passos, e a luminosidade estremecida daquele ambiente já não era mais capaz de transportar-me para o baile, sem com isso perder de vista os meus sapatos.

No final, perceber que tamanha beleza tinha sido de apenas um único protagonista não mais me entristeceria. Entreguei-me ao desejo calado, mesmo consciente que estava a construir uma história de para mim mesmo.

A noite termina com os primeiros raios de sol a tocar timidamente o orvalho sob as folhas das árvores. Percebia paulatinamente cada detalhe do meu corpo e não mais me importava. Amei-te profundamente sem você sequer saber que fora amado.

Calei-me perante aquela algazarra de sentimentos e percebi que o que procurei era o prazer de sentir-me feliz por mim mesmo. Contemplei um sorriso inesperado que ganhou impulso para, por fim, morrer sem descobrir absolutamente nada.

sábado, 18 de julho de 2009

Rotunda Roda Rotineira

É como andar por toda uma multidão, em uma grande avenida movimentada de uma cidade movimentada. Você se dilui em plena insignificância de ser mais um qualquer, mais um ninguém. Mas há uma pseudo ordem, uma organização social que faz de uns aqueles que vêm e de outros aqueles que vão. Parece uma balança que se equilibra numa dança perfeita, e ainda há aqueles que enxergam a fragilidade desse caminhar como a ingênua face da ilusão.

É como uma barca à navegar sem rumo. Um capitão diz que vamos para Zulia. Alguns pensam que lá é o paraíso, outros são céticos e ninguém se percebe, pois lêem os livros dos dias e contam as horas para os parentes presentes e mortos... Um capitão esquizofrênico a brincar de Moisés, cria seus filhos na entorpecida ilusão de humanidade pós-moderna, pós-utópica, pós qualquer outra coisa.

E você ainda se preocupa, afinal sente-se importante para aquela meia dúzia de coisas anódinas. Você se move conforme o vento que te quer carregar. Mas suas folhas são feitas de tinta de sangue e lágrimas. Quer brincar de ser rei de si mesmo em um lar de carcamanos... quer brincar de feliz em um lar onde a felicidade é institucionalizada.

E você se pergunta se és mesmo insignificante, mesmo na silenciosa multidão de passos variados... onde os desastres marcam os acontecimentos, entre as mortes dos artistas e as velas a apagar toda essa escuridão. Você se pergunta porque não brincar um pouco de ser feliz, mesmo que a sua viagem seja feita à passo de tartaruga ou nas asas de uma fênix.

Mas há quem diz que o certo é aquilo pintado pela maioria... vil mentira da dita-dura... sendo que, por sua vez, deixa de lado o que mais importa. Afinal, se é para pensar em igualdades, eu prefiro pensar no amargo dom da liberdade. Liberdade que faz de nós a vida que outrora fora calada... Faz de nós todas as possibilidades... Faz de nós respeito pleno e sincero.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

O Diário de Teegoh – Semana 18

Se quiser destruir um sistema, comece por destruir os símbolos que o carrega. Os porcos dançam lá fora, bebem a tristeza do vinho para desviar a atenção do corpo do insuportável cheiro de podridão. Contudo não posso reclamar de estar cercado por ignorantes, não foi preciso mais do que um pouco de proximidade e meia dúzia de palavras fáceis para conseguir acesso aos arquivos secretos.

Aqui eu não sou Teegoh. Mudei meu nome antes de começar a minha busca por motivos óbvios. Ao mesmo tempo em que um nome pode ser um símbolo e desvincular-se do seu pode significar perda de sua essência para mim aconteceu o contrário. Encontro-me comigo mesmo no silêncio das palavras, como se tomasse férias do mundo enquanto ele não é digno de minha presença.

Até eu retornar, se é que isso um dia acontecerá, sou apenas um soldado que faz o possível para não sucumbir à loucura. Hoje me entrego à esperança outra vez! Pierre não esteve aqui e essa foi a melhor falta de notícias que tive, pois sei que ele não esteve na sala 13. Resta-me agora saber como faço para sair daqui. Enfim, T.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Desejos e medos de um ser noturno

Acalme-se o dia já vai nascer. Não é mais necessário temer o crepúsculo, pois amanhã não haverá mais passado. Tuas histórias foram bem guardadas na gaveta mais escura de tua mente e agora pode deliciar-se com as orgias mundanas.

A noite, sorridente como a lua em seus quartos de vidas, é criança calma agora. Não há mais fantasmas, corrimãos, estátuas ou peça de decoração remendada. Não há mais pessoas, responsabilidades, expectativas alheias.

Você está só e a noite é rósea em seu intimo ventre. Dança com ela a boemia de uma vida conquistada. Torna-se homem viril nas peripécias fáceis, mesmo sabendo que a ressaca lhe trará a dor de ser sempre sozinho.

Doce vício de perfume impar que, como o canto da sereia, inebria a alma com calores imprudentes de uma vida sem regras. Vida consumida pela comodidade estancada em conveniências

Essa multidão de corpos e semi-deuses ostentam suas verdades e tatuagens enquanto você passeia totalmente nu pela escuridão, na esperança de sentir-se tocado pelos os sagazes gestos do vento.

Caminha
sozinho
Sozinho
Com os
teus conceitos,
mas sozinho
Simplesmente
Sozinho...
Sozinho...
Sozinho...
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Solitário
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