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O caso surreal do triste fim de uma resposta que não veio

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[PARTE 01]

A rainha estava quase ao meu lado, ela não usava chapéu e seus cabelos, que foram tingidos de prata pelo tempo, estavam perfeitamente alinhados com a sua postura de quem sabe o que representa. Eu ocupava lugar especial naquele evento de gala no salão vermelho. Eu estava no palco, junto da rainha e fazendo par com todas as pessoas importantes. Enquanto o evento acontecia, o qual pouco sei o motivo, eu reparava nas pessoas que ocupavam as primeiras fileiras do grande hall, em especial, a família, cuja moça de vestido simples azul, me chamara a atenção desde quando passava pelas filas de espera para adentrar àquele lugar.
Não se tratava de entender a língua que se falava no local. Não precisava entender as palavras, eu precisava apenas estar lá e aproveitar a oportunidade para conseguir desvendar o enigma da minha ignorância. No momento apropriado, tirei a grande tela do meu bolso, com o intuito de mostrá-la para a rainha. A pintura flutuava sem nenhum constrangimento, e some…

O Porvir

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Escolho o olhar perdido, a voz que falha e as frases incompletas de um abraço nunca dado. Pois percebo que os problemas que passei, assim como as conquistas e as perdas que compõem este caminho, fazem de mim um amalgama de gente, que luta contra a natureza obscena da perversão.

Mas não me entenda mal, não se trata de me sentir capaz de mudar o mundo à minha volta, ou sequer mudar o outro, seja lá quem ele o seja. Nesse caso, o inerente a minha existência se confunde ao etéreo do desejo, cujas vontades egoístas e mesquinhas, no momento seguinte, já deixaram de existir.

E o que sobra é a dúvida que mesma seus gosto do tempo com a saudade e a esperança de um novo reencontro comigo mesmo. Aquele que um dia amei ser.

Sou a necessidade dos encontros voluntariosos de olhares, assim como sou o errante da escolha e do pertencer a mim mesmo, aos meus comprometimentos. Sou a urgência do estético e da sinceridade, até no momento em que eles não sejam capazes de traduzir a sutiliza azeda da incomp…

Te ofereço minha adorável bagunça

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Então você se sentou ao meu lado, como se eu pudesse assim vislumbrar de perto tudo aquilo que venho a sonhar esses últimos meses. Enquanto mantivemos a casualidade da conversa, tentava esconder aquilo que não podia dar nome ainda, mas eu me sentia pateticamente indefeso perto de você, e assim o meu olhar fugia do seu. Mas, eu aproveitava esses espaços para tomar coragem e então conseguir voltar a olhar os seus olhos e saborear o gesto de como me via. Ainda é enigmático.
Fazia isso de propósito? A calmaria parecia te guiar dessa vez, e eu já não mais conseguia me esconder em qualquer vantagem que a idade supostamente me dera. Será que estava a me testar o quão vulnerável eu ficava frente ao desejo que sinto por você? Estava a tal ponto que meu corpo acendia e transbordava de calor e suor, mais pelo anseio do que por ser um dia veraneio.
Será que percebia tudo isso e queria então me ver ultrapassar a fronteira da libido que impulsionava as palavras da concretização de um toque ou do p…

Simplesmente juntos - uma versão esquizofrênica

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Você foi meu melhor amigo, um verdadeiro companheiro.
Prometemos cuidar um do outro e eu acreditei ser possível.
Mas, de repente, você fechou as portas do teu abismo particular
E eu não consigo mais entrar para estar do seu lado.

Toda essa angustia me surpreende, e tento fazer diferente
Mas tenho a sensação de nadar cada vez mais para longe de você.
Imaginei que nossas diferenças de geração seria apenas uma
Ponte agradável de se atravessar e aproveitar o lado bom de cada um.

Eu pensei que seríamos simplesmente juntos
E que felizes traçaríamos nossas vidas
Eu pensei que seriamos honestamente preciosos
E que os limites seriam apenas cotidianos desafios
Mas eu estava tristemente enganado.

Você foi algo além do tangível às palavras, quando me apaixonei
Pelas tuas possibilidades praticamente inesgotáveis de me admirar.
Eu me lembro do teu esforço em se encontrar para então ser simples.
Com você eu reencontrei meu Deus interior e ele era bondoso.

Essa sensação de perda me entorpece e estraç…

Sobre o domador encurralado

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Tenho recolhido pequenas migalhas de reconhecimento. Como um desamparado sem teto, cuja única certeza foi ter perdido todas as certezas de ser quem queria ser na medida em que deixei que os outros ditassem a minha própria felicidade.
Sou o contrário do existir. Fico as margens, e me saboreio das partículas de alegria postadas diariamente pelos meus conhecidos e outros tantos que tenho só posso ter uma certeza: nunca os verei pessoalmente. Pois os acasos dos encontros não estão na minha agenda de realidade.
Querem me ensinar como devo abraçar... E recolho também sorrisos de aceitação. Mesmo que eles venham cheios de espinhos. A cada “o que você é? ” “Porque não está falando com fulano? ” “Aconteceu alguma coisa? ”, minha reação é encher as pessoas de tudo o que elas precisam para, no fundo, elas esquecerem que eu existo.
Fico me perguntando quantas vezes sou questionado por fins de vaidade ou um modo ardiloso e mascarado de proferir inveja e preconceito. Parece que a porta que havia a…

Pequenos fracassos

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Mesmo que se eu juntasse a minha mão junto a tua, e nossas ideias se alinhassem e nossas vontades se tornassem as mesmas, mesmo que tudo isso acontecesse em apenas o infinito de um instante. O espaço vazio que existe entre nós ainda seria a morada onde eu retornaria como meu porto de acalanto. 
Não existe qualquer possibilidade de sermos aquilo que nunca fomos um para o outro. Creio ter superado isso, mesmo ainda sentindo o ranço sabor das memórias que nunca pude construir. Mas não seria possível ser algo novo? A dor que me fiz sentir quando me despejou palavras de descaso tornaram-se resquícios de uma mágoa craquelada, disforme, sem brilho...sem nada.
Teria me tornado um vazo corroído pela necessidade do orgulho que, com o sal das marés e ventos, esculpiram lentamente a minha alma em múltiplos formatos de amargura? E, se em um momento fui vitimado pelas tuas esquizofrenias do sentir, não teria sido eu aquele quem escolhera tomar o veneno do rancor?
A misericórdia que me mantem vivo …

Sobre o cotidiano

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Nem toda manhã nasce para tormentas de nós mesmos, pois eventualmente buscamos novas chances em caixas velhas. Já não compactuo com a idade da imortalidade, tampouco busco qualquer elixir milagroso. Talvez seja também um erro suportar qualquer possibilidade de uma nova perspectiva de um olhar que está tão preso nos arautos do momento, cuja única perspectiva é ser um ininterrupto desmoronamento.
E nesta manhã eu tentei buscar alento nas tuas palavras, como alguém que acredita nas miragens do deserto. Queria lhe dizer coisas sobre a vida ou buscar a migalha que falta para vislumbrar um sim dentro de tantas incertezas. Mas você me deu mais de você, em generosas doses de ressentimento que talvez você só lembrará o motivo vil ao ler esse texto.
Não tenho nenhum elixir da boa vida. Tampouco carrego na minha bolsa o cálice sagrado que seria capaz de unir todos os povos. Queria poder lhe dar um livro com todas as respostas da vida, mas este presente seria totalmente inútil para alguém que só…