segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Saudade

O acaso desta canção é o desenho da minha tristeza
Que se fez nas ondas e naquele papel partido perdido,
Ao lembrar-me da tua voz furtiva, como rara beleza
Calei-me ao contemplar aquele nosso sonho contido.

Porém, quem sabe talvez, ainda haja uma certeza!
E o amor que um dia me jurou, hoje adormecido,
Seja capaz de abrir os olhos, num ato de delicadeza
E aquilo que era impossível tornar-se-ia acontecido.

Se faltar paciência, serei a harmonia.
Se sobrarem as dúvidas, serei a compreensão.
Se acabar os sonhos, construiremos os nossos.

Se abolir a vontade, eu sorrirei pra ti.
Se parar os movimentos, serei teu caminho.
Se quiser chorar, um soco, te darei.

Te amo.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Prólogo

Brinquedo de papel, pra dizer sobre as coisas reprimidas e sobre tantos outros mundos desenhados, cortados, pintados e colados.... perdidos enfim, no silêncio e solidão.

Um menino descobre o mundo nos moldes que ele mesmo criou. Em suas aventuras ingênuas por debaixo d’água e para além de marte. Lugares mortos pelos homens.

Um menino cria seu castelo e lá vive uma eternidade. Constrói seus sonhos, que tornam-se metas e se perdem entre o caminho todo. Transformam-se em espuma.

Boneco de papel, figura de luxo e rara. Palavras proferidas em gestos mudos e olhares perdidos. Minha vida é contada num cenário fingido. Sou o ator de uma farsa.

domingo, 13 de setembro de 2009

Liberdade

De repente você se pergunta: o que és neste mundo?
Onde estão as borboletas de nossa intimidade?
Onde estarão as palavras daquela nossa verdade?
Não há mais paz nem sossego neste silêncio imundo.

Nessa imensidão, tantas coisas pra dizer e fazer
E só penso em você... que se faz tão dura comigo.
Nunca deixar de ser um bom e sincero amigo.
Penso nos teus braços buscar o azul e permanecer.

Mas se és volátil, sem lugar, sem cor, sem gosto.
Explica-me, por favor, porque dói tanto gostar.
Gosto de pensar em ti, mesmo sem saber o que é amar.
Gosto de sonhar contigo, mesmo sendo eu um tosco.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Perdido

Lá... bem longe, perto apenas das idéias nunca reveladas e dos cantos impronunciáveis eu passei aquela noite. Num ato que parecia ingênuo ser, no meio das montanhas de livros em branco, e assim por acaso você encontrei numa brincadeira nada infantil.

Pouco se passa, o encanto se instala, a voz se apresenta e as ilusões dançam sem as preocupações de um adulto em formação (de algo). Mas, como todo canto, o dote era mais inebriante do que os longos e frios dias de agosto.

Sem pestanejar, a música silenciosa anunciava a chegada da grande valsa. Naquele salão, as velas davam o tom de solenidade e eu estava à tua espera. Meu sexo era teu e nem a pior das crises poderia atingir-me naquele instante.

A poucos passos de sentir o teu perfume, o balanço das chamas cantarola entre mil aromas diferentes, elas são graciosamente tocadas pelo vento do luar, e assim tornam-se fiéis expectadoras de um baile sobre mim mesmo.

Trajando apenas a sombra da noite, mas tocado pelo brilho das luzes dançantes das velas, caminhava em sua direção, pois sabia que o sonho era etéreo e a conclusão absoluta inevitavelmente seria.

Por mais que tentasse me enganar, eu conhecia aqueles passos, e a luminosidade estremecida daquele ambiente já não era mais capaz de transportar-me para o baile, sem com isso perder de vista os meus sapatos.

No final, perceber que tamanha beleza tinha sido de apenas um único protagonista não mais me entristeceria. Entreguei-me ao desejo calado, mesmo consciente que estava a construir uma história de para mim mesmo.

A noite termina com os primeiros raios de sol a tocar timidamente o orvalho sob as folhas das árvores. Percebia paulatinamente cada detalhe do meu corpo e não mais me importava. Amei-te profundamente sem você sequer saber que fora amado.

Calei-me perante aquela algazarra de sentimentos e percebi que o que procurei era o prazer de sentir-me feliz por mim mesmo. Contemplei um sorriso inesperado que ganhou impulso para, por fim, morrer sem descobrir absolutamente nada.

sábado, 18 de julho de 2009

Rotunda Roda Rotineira

É como andar por toda uma multidão, em uma grande avenida movimentada de uma cidade movimentada. Você se dilui em plena insignificância de ser mais um qualquer, mais um ninguém. Mas há uma pseudo ordem, uma organização social que faz de uns aqueles que vêm e de outros aqueles que vão. Parece uma balança que se equilibra numa dança perfeita, e ainda há aqueles que enxergam a fragilidade desse caminhar como a ingênua face da ilusão.

É como uma barca à navegar sem rumo. Um capitão diz que vamos para Zulia. Alguns pensam que lá é o paraíso, outros são céticos e ninguém se percebe, pois lêem os livros dos dias e contam as horas para os parentes presentes e mortos... Um capitão esquizofrênico a brincar de Moisés, cria seus filhos na entorpecida ilusão de humanidade pós-moderna, pós-utópica, pós qualquer outra coisa.

E você ainda se preocupa, afinal sente-se importante para aquela meia dúzia de coisas anódinas. Você se move conforme o vento que te quer carregar. Mas suas folhas são feitas de tinta de sangue e lágrimas. Quer brincar de ser rei de si mesmo em um lar de carcamanos... quer brincar de feliz em um lar onde a felicidade é institucionalizada.

E você se pergunta se és mesmo insignificante, mesmo na silenciosa multidão de passos variados... onde os desastres marcam os acontecimentos, entre as mortes dos artistas e as velas a apagar toda essa escuridão. Você se pergunta porque não brincar um pouco de ser feliz, mesmo que a sua viagem seja feita à passo de tartaruga ou nas asas de uma fênix.

Mas há quem diz que o certo é aquilo pintado pela maioria... vil mentira da dita-dura... sendo que, por sua vez, deixa de lado o que mais importa. Afinal, se é para pensar em igualdades, eu prefiro pensar no amargo dom da liberdade. Liberdade que faz de nós a vida que outrora fora calada... Faz de nós todas as possibilidades... Faz de nós respeito pleno e sincero.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

O Diário de Teegoh – Semana 18

Se quiser destruir um sistema, comece por destruir os símbolos que o carrega. Os porcos dançam lá fora, bebem a tristeza do vinho para desviar a atenção do corpo do insuportável cheiro de podridão. Contudo não posso reclamar de estar cercado por ignorantes, não foi preciso mais do que um pouco de proximidade e meia dúzia de palavras fáceis para conseguir acesso aos arquivos secretos.

Aqui eu não sou Teegoh. Mudei meu nome antes de começar a minha busca por motivos óbvios. Ao mesmo tempo em que um nome pode ser um símbolo e desvincular-se do seu pode significar perda de sua essência para mim aconteceu o contrário. Encontro-me comigo mesmo no silêncio das palavras, como se tomasse férias do mundo enquanto ele não é digno de minha presença.

Até eu retornar, se é que isso um dia acontecerá, sou apenas um soldado que faz o possível para não sucumbir à loucura. Hoje me entrego à esperança outra vez! Pierre não esteve aqui e essa foi a melhor falta de notícias que tive, pois sei que ele não esteve na sala 13. Resta-me agora saber como faço para sair daqui. Enfim, T.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Desejos e medos de um ser noturno

Acalme-se o dia já vai nascer. Não é mais necessário temer o crepúsculo, pois amanhã não haverá mais passado. Tuas histórias foram bem guardadas na gaveta mais escura de tua mente e agora pode deliciar-se com as orgias mundanas.

A noite, sorridente como a lua em seus quartos de vidas, é criança calma agora. Não há mais fantasmas, corrimãos, estátuas ou peça de decoração remendada. Não há mais pessoas, responsabilidades, expectativas alheias.

Você está só e a noite é rósea em seu intimo ventre. Dança com ela a boemia de uma vida conquistada. Torna-se homem viril nas peripécias fáceis, mesmo sabendo que a ressaca lhe trará a dor de ser sempre sozinho.

Doce vício de perfume impar que, como o canto da sereia, inebria a alma com calores imprudentes de uma vida sem regras. Vida consumida pela comodidade estancada em conveniências

Essa multidão de corpos e semi-deuses ostentam suas verdades e tatuagens enquanto você passeia totalmente nu pela escuridão, na esperança de sentir-se tocado pelos os sagazes gestos do vento.

Caminha
sozinho
Sozinho
Com os
teus conceitos,
mas sozinho
Simplesmente
Sozinho...
Sozinho...
Sozinho...
.
.
Solitário
.
.
.
.

terça-feira, 14 de julho de 2009

O Diário de Teegoh – Semana 17

Cumprindo as funções burocráticas desse recinto de danação só sinto a morte através do cheiro de sangue pobre vindo através dos ventos secos ou impregnado nas fardas de soldados que, por ventura, vêem até mim com uma ignorância infra-humana.

Mas, mais sujos que os sapatos dos imbecis são os papéis que tenho que lidar. O comandante desse alojamento mal sabe ler, o que não me surpreender, afinal esse trabalho é para qualquer besta insana, não para um homem. Mesmo assim, quase nada tenho acesso. Geralmente pedem para traduzir algum folheto do inglês ou francês, pois pensam que são mensagens escondidas do grupo revolucionário.

São armas para porcos sedentos por sangue. Porcos que fazem dos seus dias, composições de harmoniosas regências para uma sociedade caótica. Excrementos da sociedade brincando de dançar com debutantes em salões de corpos dos idealistas, que também são tão radicais quanto. Enfim, T.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Das crenças e contradições

Já sei que não retornas mais. Fui abandonado para sempre, e mesmo assim supliquei a ti. Rezei todas as orações, mas você não me ouviu. Ninguém conseguiu levar minha mensagem, enquanto você assistia placidamente minha tristeza. Admirava sua própria superioridade plácida, cultivando teu insólito silêncio, calcado de apatia... Você não veio enxugar minhas lágrimas pelo simples gosto de se sentir superior aos meus sentimentos banais.

Já sei que minha calúnia não se resume à dúvida ou incertezas... Meu acreditar briga com minha racionalidade, que, por sua vez nem sabe mais o que são sentimentos. Mas minhas lágrimas se findaram e você continuou a observar-me nu, entronado entre as nuvens do outono, sem se importar com minhas fragilidades mundanas.

Já sei que pra ti sou o nefando verme que impediu adão de provar plenamente o sabor do fruto. Mas agora não vou mais para o inferno, pois suas asas queimaram-se ao perceber minha indiferença. Sua beleza foi maculada ao tocar o barro dessa terra... nem ao menos teu corpo era mais digno de adoração.

Já sei que sou o seu alvo... Mas eu compreendo a tua indignação, e sinto muito por não poder fazer nada. O que fazer para ajudar um ser perfeito que caiu em maldição pela própria contradição dos atos? Te ofereço essas flores de palavras, um gesto humano, simples e banal. Ofereço-te um beijo perdido.

domingo, 12 de julho de 2009

O Diário de Teegoh – Semana 16

Há tempos não me deparo com o prazer de um gesto. Não há nada que me mostre um belo ato. Não há mais histórias, passado ou futuro. Se há amor, não sei mais onde encontrar. Estou aqui por conta de uma loucura... Vivo entre dementes seres que se julgam heróis de verdade. Suas roupas são verdes acinzentados, para esconder o tanto de sangue que já derramaram em nome de qualquer coisa.

As salas da penumbra enchem-se e esvaziam-se em uma velocidade incrível. Poucos saem com vida da sala 13, e aqueles que saem não retornam tão cedo para os alojamentos pois passam dias, as vezes, semanas em algo que chamam de enfermaria (mas um matadouro deve ser mais limpo do que aquilo). Às vezes tenho vontade de escrever tudo o que vejo, mas não é possível descrever o fedor de carne humana sendo queimada depois de apodrecida.

Uma vez escalado para esse alojamento, homens chamados de soldados tornam-se arautos da morte, mas eu tento me manter lúcido para tentar encontrar nas palavras o sustento que me mantém vivo na busca pelo Pierre. A idéia do sorriso dele, idéia que se transforma em energia ao tocar os meus pensamentos, já não é mais tão nítida como antes. As noticias ou possibilidades extinguiram-se. Enfim, T.

sábado, 11 de julho de 2009

A inversa coincidência das cores

(ou a brincadeira do acaso)

Sou a busca no teu silêncio das respostas que não chegam
Sou as contas do bêbado que perdeu o caminho de casa
Sou a contraditória inquietação de final de domingo
Sou a besta atemorizante de mim mesmo todos os dias

Sou o contrário das tuas cores
Sou a outra parte na balança.

Aquele que não te equilibra, que te desconcerta,
Aquele que te leva à inquietação, à desordem,
Aquele que te mostra a ousadia de um sim
Aquele que brinca de inconstâncias

Sou o contrário das tuas cores
Sou a outra parte na balança.

Sou o avesso de ti em palavras retas ou tortas
Sou o outro lado de um círculo perfeito
Sou o Tigre e você é o avesso ou
Sou o Dragão e você: o oposto

Sou o contrário das tuas cores
Sou a outra parte na balança.

Aquele que sou, é afeto azul.
Aquilo que é, é inquietação vermelha.
Somos o que quisermos ser.
O que somos?

sexta-feira, 10 de julho de 2009

O Diário de Teegoh – Semana 15

Nessas celas, que dizem ser alojamentos (mas que são celas de condenados à loucura de poucos) estou entre tantos outros. O cheiro de sangue seco se mistura ao da terra maltratada pelos pés rápidos de soldados e presos. Sei que, na perspectiva de alguns, já aprontei muitas maledicências, mas o que eu vivencio aqui não é digno de memória.

Aqui vivem a contar o desconhecido. Eles, os prisioneiros, não sabem se dia ou noite é. Quando voltam a ver a luz do sol pensam ter encontrado o paraíso, mas isso até perceberem que estão indo para a sala 13. Tão agourado é este número desde a época das bruxas ou mais para além.

Talvez seja ironia do acaso, mas quem entra na sala 13 pode sair de lá em livre espírito, deixando por vez de vivenciar o que temo ainda ser apenas o começo de tamanha bizarrice. Mas nem todos têm a mesma sorte. Formando um rastro de sangue e sofrimento, saem os que respiram num fio de vida, carregados entre os braços de homens e marcas. Irreconhecíveis. Sozinhos. Enfim, T.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Cidades e vilões

Minha intuição se revela hoje como prelúdios de agouros. Fados são cantados sob o negro da noite enquanto as estrelas são ofuscadas pelas brumas deste inverno de solidão. Enquanto isso a relatividade mescla-se com a racionalidade. Teorias mesclam-se com o pragmatismo. E o que somos nós no meio de tudo isso?

São sempre intempestivas as revelações que nos são proferidas. São tão fortes que nos causam náuseas e, muitas das vezes, expurgamos entre lágrimas e soluços, nossa indignação por sermos tão medíocres. Mas há uma beleza em percorrer o caminho do desconhecido... por quantos de nós mesmos já tevemos a oportunidade de nos depararmos no cotidiano?

Dizem que há uma importância em se auto entender por caminhos um tanto conturbados. Eu acredito que isso seja importante. Mas, as respostas que nos dão são capazes de te satisfazernos por completo? Se houve algo “alá Freud” que nos motivou a ser quem somos, eu te pergunto onde se encontra os seres que somos hoje? Pois a revolta pode ter motivado certos caminhos, mas o como caminhamos por ele deve ter importância, não?

Doce é o perfume que sinto ao te perceber por perto, mesmo que em pensamento. A ligação entre as pessoas não é algo simplesmente ocasional, mesmo quando tenha surgido através de um possível acaso. A cumplicidade, o carinho, a vontade de ser melhor e de completarmos um nos outros não faz referência à um passado, são reflexos, acima de tudo, do cuidado que temos em construir algo nosso.

Não sei aonde tudo isso se findará. Confio no meu amor, contudo. Sei que nestas cidades não somos vilões, afinal talvez eles nunca existiram nesta cidade... são apenas histórias para ajudar-nos a não perder o fio da vida, e não assustarmos ao percebermos que apesar de todos os pesares, somos verdadeiros heróis ao cruzar esses mares todos e poder dizer com um sorriso no rosto o “eu te amo”.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Outro Lado

Eu sei... muita coisa passou. Hoje acho que não sou quem esperavas.
Não sou mais o mesmo... não teve jeito, o tempo também por mim passou.
Também por ti ele passou! Foi quando aprendi a ver a tua relíquia.
Se ao menos eu pudesse te dizer, mas me custa acreditar no que vejo.

Pode falar... não há mais em mim aquele encanto indescritível,
Ou aquele conjunto de ingênuos acordes que criamos sobre nós mesmos.
Em algum momento uma idéia etérea fora destruída pela realidade cotidiana,
Ou então até daquilo que mais acreditávamos, perdeu-se em um lugar qualquer.

Mas, eu acho que talvez eu estive muito errado ultimamente.
Andei por ai. Tentei encontrar-te, mas agora vejo que não achei nada.
Devo ter me perdido em algum momento, talvez por desatenção,
ou por algum outro motivo banal. O que dizer? Ou melhor, o que fazer agora?

Será que o acaso quisera apenas passar seu tempo a pentelhar um desventurado?
Deram-me flores perfumadas, que recebi com muita cautela. Tive medo!
Mas, aos poucos fui me abrindo para aquele delicioso perfume de palavras.
E eu, entorpecido por tanta beleza, caminhei no Olímpio. Sorri, enfim...

De fato, aquelas flores não tinham espinhos. Eram belas e de suaves cuidados.
Foi então que a integridade de um sonhador banhou-se na fonte da esperança.
Mas apenas até retomar à realidade e perceber que entrava em um pesadelo...
E teimar com o intocável, não é mais algo que sinto ser possível.

Enfim...
Sair por ai já não basta mais para mim,
afinal, não vou encontrá-lo.
Talvez?

terça-feira, 2 de junho de 2009

Conhecer-se e quase ter um ataque dos nervos

Aviso:
Este texto pode ser literal ou metafórico ou as duas coisas ou ainda uma outra qualquer...

Eu acho que sou um rapaz que sempre buscou se alto criticar no intuito de buscar “auto-conhecimento”, ou, perceber-me minimamente. Às vezes, eu sei, até exagero um pouco. Contudo, mesmo assim, deparo-me ao olhar-me nos espelhos da vida com uma figura que de nada me agrada.

Quando isso acontece, num primeiro momento, evidentemente, o alvo é o aparente, afinal, estamos falando de olhar-mos nos espelhos. Depois dessa primeira impressão, que é por si só um tanto traumática quando o que se vê não é em nada o desejável, tento continuar os meus afazeres como se nada tivesse acontecido, mas o meu mundo particular ganha outra perspectiva mesmo eu buscando cuidar do meu cotidiano da forma mais pragmática que é possível.

Mas, confesso que não dá muito certo: são as roupas que parecem não cair bem, as fotos recém tiradas onde o rosto pode ser muito bem confundido com uma bola de basquete, e, pior de tudo, ainda tenho que escutar pérolas que só te faz pensar exatamente o contrário do que se foi dito ou pensar que a pessoa ou tem problema nas vistas ou está tentando ser “simpática”.

Para completar o quadro, ao pensar que poderia tomar uma postura efetiva para reverter uma situação como essa (que me causa muita chateação e irritação, por sinal) eu sempre acabo no discurso do bom crítico e péssimo “executador de melhorias”... E, pior! Isso é quase como um ciclo vicioso de um auto-flagelador, pois, se no princípio, era o físico que não agrada, o cotidiano torna-se uma briga ferrenha minha contra eu mesmo em quase todos os aspectos.

Veja bem, eu nunca fui de me preocupar com a forma física, na verdade, meus cuidados são voltados muito mais para saúde. Mas, hoje o que me irrita mais são as minhas atitudes que cominaram nessa insatisfação... atitudes de um rapaz que tanto presa a consciência mínima de si mesmo e percebe-se jogado a um cotidiano caótico transformado por ele mesmo.

 

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