Cem

Aos meninos que um dia conheci, nos bares e cantorias dessa estrada sem fim e àqueles que ainda hão de entrecruzar estes devaneios solitários, dedico essa minha centésima postagem.

Aos meninos que já me viram chorar, que riram comigo e já comeram uma batata assada num entardecer qualquer, onde sem delongas dissemos o que antes não diríamos nem para nós mesmos, com tamanha facilidade que surpreenderia até os mais liberais. Àqueles que, as palavras não bastando para expressar tamanha euforia de se sentir vivo, coisas transcendentais transubstancializaram o mais tenebroso e mais belo de nós mesmos: os nossos sentimentos. Não bastando tentar conter a contida dor do ser, dispara e arrebenta o gozo dos anjos, os corpos únicos, nus, unidos para sempre num ciclo empírio... a vida aflora... as lágrimas enlouquecem o proibido e questionam o convencional.

Aos meninos inexistentes, aqueles dias de conversas intermináveis na internet onde apenas não se falava do banal, pois até um simples “bom dia” era um assunto extraordinariamente belo e fluido de emoção. Duvidara até se eu era real, mas nunca que as palavras do desconhecido fossem levianas. Um acolhimento aos solitários, quantos sorrisos tive o prazer de ver brotar em seu rosto por meras bobagens profundas? Quanta euforia em relembrar os momentos que nunca vivemos juntos, mas presenciamos e nos felicitamos ao ver uma possibilidade, mesmo que no fundo saibamos que ela é irreal.

Aos meninos que são meninas.... Os sorrisos encantadores que me ensinaram a ter um pouco mais de paciência com a diferença e a leveza de suas palavras, ou então à brutalidade das mesmas palavras. A sensualidade em um mundo cinza, trazem mais cor, lutam por igualdade em terras onde elas valem mais do que eles... ou não, valem exatamente a beleza que tem.... São únicas esses meninas meninos. Que me amaram, algumas, mesmo no silencio da incompreensão...

Aos meninos, amores, amantes dessa terra.... Aqueles que já se apaixonaram e tiveram o privilégio de dizer “eu te amo” e aquilo, aquele momento, ter sido tão único e especial que ultrapassou qualquer barreira do clichê e, daquela noite em diante, não haveria amor maior entre eles. Que se danem os lugares comuns... que seja comum, mas que seja sobretudo sincero, verdadeiro e belo! Aos meninos, dedico as noites que devaneei um mundo melhor!

Aos meninos de cinqüenta, sessenta, setenta e tantos anos. Os mais sábios, os mudos que tratam a terra e trazem pra nós um pouco mais de esperança. O verde daqueles olhos não são reflexos das plantas que eles fizeram crescer, mas sim, o carinho em saber que o dom que têm é o dom de alimentarmos, seja com comida, com poesia, com música e com o silêncio. Nunca há de ter a inércia quando perceber os seus olhos sobre a vida.

Aos meninos depravadamente abusados! Que fazem da vida um jogo de luzes bonitas,: sses sabem que por traz de cada espetáculo há sempre um lugar escuro para rezar e expurgar seus próprios fantasmas, sem com isso, perder o brilho de ser quem é e sem temer o temível, afinal, o mundo não é nada além do que uma grande passarela, onde uns interpretam para viver, outros vivem apenas... outros julgam e se esquecem que de baixo de sua própria cama tem aquela cueca molhada em que não se agüentando de medo, desmoronou-se em urina e lágrimas.

Aos meninos de rua, aos meninos que ainda adotarei... Ao menino preso em mim e aos outros meninos todos que já são livres...

Vos dedico, a todos, indiscutivelmente a todos, essa mensagem de número 100.

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