Das crenças e contradições

Já sei que não retornas mais. Fui abandonado para sempre, e mesmo assim supliquei a ti. Rezei todas as orações, mas você não me ouviu. Ninguém conseguiu levar minha mensagem, enquanto você assistia placidamente minha tristeza. Admirava sua própria superioridade plácida, cultivando teu insólito silêncio, calcado de apatia... Você não veio enxugar minhas lágrimas pelo simples gosto de se sentir superior aos meus sentimentos banais.

Já sei que minha calúnia não se resume à dúvida ou incertezas... Meu acreditar briga com minha racionalidade, que, por sua vez nem sabe mais o que são sentimentos. Mas minhas lágrimas se findaram e você continuou a observar-me nu, entronado entre as nuvens do outono, sem se importar com minhas fragilidades mundanas.

Já sei que pra ti sou o nefando verme que impediu adão de provar plenamente o sabor do fruto. Mas agora não vou mais para o inferno, pois suas asas queimaram-se ao perceber minha indiferença. Sua beleza foi maculada ao tocar o barro dessa terra... nem ao menos teu corpo era mais digno de adoração.

Já sei que sou o seu alvo... Mas eu compreendo a tua indignação, e sinto muito por não poder fazer nada. O que fazer para ajudar um ser perfeito que caiu em maldição pela própria contradição dos atos? Te ofereço essas flores de palavras, um gesto humano, simples e banal. Ofereço-te um beijo perdido.

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