As Cartas e o Dejavú

O silêncio desse momento... aquele que fere a alma pois sei que te magoei essa manhã com o meu jeito um tanto quanto egoísta... foi banhado pelo desespero que saquei a arma da insegurança e ela far-se-ia cunho de mazelas e medos se da minh’alma o pranto de sangue não houvesse sido tingida naquele instante.

Percebo então que a vós entreguei-me de tal modo que me tornei imortal por um instante. Um único e belo instante que transformou a realidade suprimida de uma vida delimitada num espectro de virtudes, donde, cavalgando num cavalo alado, trouxe a mim, a bela deusa nua, o perfume dos apaixonados.

Sentei no trono das ilusões e por lá minha alma se entregou ao pecado ao tocar seus doces lábios que em mim foi então enfeitiçado por tal ardor que não mais sem ti poderia eu ser alguém. Esse pecado que decidi tornar-lo em o que há de mais puro e belo nesse lugarzinho imundo, talvez uma luz, talvez uma esperança, talvez... Foi então que esqueci de tudo.

Vivi os melhores dias da minha vida. Senti o orvalho da manhã que tocava o seu coração derreter-se. Mas esqueci os presentes dias em que o sol tendia de ser os mais escaldantes. Não mais saberia eu ser o que eras. Não há aneurisma, não há colapso, não há mais nada... Apenas o escolhido.

Mas a arma continuava a se mirar em minha cabeça, que por ali devia mandar o recado da dama de preto. Meus medos e anseios tornar-se-iam findados por não ter mais onde pensar. Mas, o fiel destino fora capaz de trair-me e em ti fez cair o descontentamento.

No momento daquele segundo, percebi que o que tenho é o que vejo. Mas que belo és tu, meu amado, que foste capaz de tornar minha alma imortal até este instante! contudo agora os anjos clamam à minha despedida: Que Deus vos abençoe!

Minha contraditória vida se faz muito por mim mesmo e é o outro lado do espelho desse lugar que guardo as lembranças. Meu reflexo é uma arma que se aponta para as doces ilusões de minha mente e espera ansiosamente o momento perfeito de cobrir-me nos sorgos de sangue e desilusões. É veneno o que chamam de muitas coisas nesse mundo. Mas eu sei qual é o veneno que me ofereceram para degustar... Não sei se tomarei... não sei se és o veneno que quero.

Deixo esse instante. Meu coração sangra e não quero que saibas dessas palavras por enquanto. Olha nos meus olhos e verá que as diferenças estão postas na mesa como um jogo de cartas, mas, por favor, não se esqueça que há de haver algumas que se convergem entre os dois lados da mesa. São essas que agora percebo já me visitaram, esse momento é apenas um dejavú.

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