Palavras inauditas

Dessa vez não sei o que dizer... Queria apenas parar por um momento e sentir tudo o que está acontecendo. É muito rápido, é muito intenso, é tudo muito confuso! Não estou com meus pés no chão, mas também não tenho asas para voar ainda. Queria voltar para aquele lugar que nunca estive e viver para sempre no rancho das amarguras onde acho que é meu destino: a solidão!
O velho senhor, de suas pernas bambas, ancorado na bengala da consciência acoimada pelas coisas que não se foram feitas. Passeia pela triste tarde de sábado sozinho pelas estradas cinzentas. A multidão o olha e o que vêem não há significância alguma, não há esperança, não já o que fazer, ele devia morrer.
No bairro triste, onde as esquinas se perdem em becos sombrios da má educação, se perde o encanecido senhor das suas idéias e das suas lembranças. Caminha sem rumo e sem destino porque o que o resta são apenas fotos amareladas pelo tempo e pelo sal das lagrimas tantas vezes derramadas sob os olhos castanhos que tanto o encantou outrora.
Não há o que se dizer, apenas que todos morreram, e os amigos se foram... os amores, de ilusão não passaram e a vida, não se tornou um livro aclamado. Na mediocridade dos passos lentos, de alguém que tinha asas e não soube usa-las por medo daqueles que não se importava com ele.
O arrependimento se vê contra seu peito, como se fosse a faca do destino que o rasga com facilidade, fazendo o sangue escorrer morno pelos pedaços de pele que ainda o cobre. O mundo já foi belo? Será que foi tudo ilusão? Se foi, queria eu ficar por aquelas bandas até esse momento. Nunca que desejaria envelhecer e perder aquilo que amo, aqueles que amo.

São das memórias de um velho senhor que nunca existiu que me vejo nesse momento. Rodeado de pessoas, sentindo-me amado... mas com um grande abismo dentro de mim mesmo que não sei o que é, nem como passar por ele. Apenas sigo em frente, mesmo que às vezes prefiro voltar para meu castelo de cristal para enterrar-me no leito das ilusões do meu mundo, lá eu sou feliz, mesmo que pela doce enganação de mim mesmo.
Se há algo que um dia me satisfará, tatear-te-ia agora, mesmo que por um segundo, mesmo que dentro de um sonho, só para sentir-me menos indefenso, menos impotente. Não sei enfrentar o mundo, não sei enfrentar as pessoas e os meus medos, nem sei expressar o que sinto e o que quero. Acho que nunca vou me conhecer. As máscaras do silencio vão acabar comigo ainda! Não sei o que há comigo, tudo está bom, como eu sempre quis, mas há algo que me atormenta ainda... Não sei, não sei... apenas continuo conforme manda o roteiro dos descontinuados...

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