Carta de amizade

Se com o gesto pode mudar o mundo, imagine o que faz o tal amor ao invadir um desprevenido mortal? Mas não se assuste. A dor é tão fiel ao sentimento que nem a certeza da impossibilidade faz com que a ilusão se desvaneça. Jeito estranho de ser, este que nos traz a vida como um gargalo de contradições. A frágil ilusão briga com a plenitude dos fatos e ainda sai vitoriosa, “mesmo que com a dor de mil facas a cada passo”.

É vivido e plácido. É viril e indistinto. É a certeza do não, mas com o gosto de sim. São sorrisos criados no rosto dele através do teu pensamento. Esses sorrisos não são pra ti, e você sabe disso. Ele sabe onde fica tua casa, mas não sabe onde você mora, onde vive teus distintos ases.

No fundo, meu caro, é evidente que não há nenhum espelho de palavras capazes de refletir o ego dos teus castelos. Você tem consciência da gentil e cálida alma que tem, mas conhece bem as taças que ele usa para degustar os mesmos vinhos teus, as mesmas taras, os mesmos desejos. Indistintos desejos guardados pelas chaves do tártaro, para que, calmamente, findam-se em desgosto. Depois... Depois o sentimento se cala, mas ele nunca morre. Nunca.

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