A Paciência Subornada



Saudades da Bahia, pois lá eu nunca estive. Estive aqui e estive ai, ao seu lado, mas um mar do tamanho bem grande soube levar de nós um grande pedaço de tempo bom. Mar este que amo tanto, mas que no momento me faz refletir.

Por um segundo é preciso parar e respirar. Deixar o mundo correr, enquanto você vê as gotas da chuva deslizar até o chão como um calmo perfeito balé. Por um segundo é preciso pensar, pois o que se diz pode ser instantaneamente gravado nas estrelas e nunca mais pode ser apagado, mas o que marca mesmo são as atitudes.

Se o sol banha os teus dias, porque tanta irritação? Pergunto-te: o que está pegando? E nessas horas que se está questionando, inevitavelmente se vem um buquê de respostas, todas elas fantasiosas e frutos de uma mente insana. Mas eu não preciso deslizar sobre as coisas que penso para te perceber.

No momento procuro no estalar do dia um pouco de placidez (como um dia me disseram ser eu um rapaz plácido). No momento nutro a saudade de não ter-te por perto. No momento corro as horas e os compromissos para não me perder sem ti. No momento apenas quero dizer que vos amo muito.

Talvez eu não precise te entender os motivos que trouxeram um mar tão diferente. Talvez eu precise apenas dizer que ao seu lado estou e o que for que seja, nada que um pouquinho de “coisa simples” não resolva.


PS: Se analisa essa figura como sendo algo tenebroso e degradante, devo dizer que você não está olhando à beleza do conteúdo. O que importa não é a entrega empírica do rito que a contorna, mas sim seu conteúdo simbólico: a entrega do meu coração, do meu amor, da minha vida, como se de tudo isso não houvesse significado algum sem ti. É algo forte, é algo passional, é algo sincero e meio inconseqüente também. Mas é algo que se deve construir e reconstruir o tempo todo para que seja resguardada a essência – o amor – estamos preparados para isso? Seremos pacientes com nós mesmos?

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