A outra metade da conquista


Tenho 21 anos. Agora sou considerado um adulto pela sociedade e pelas leis do meu país. Estudo em uma das melhores universidades e o meu curso é um dos mais renomados da área. Hoje, fui aprovado em primeiro lugar em um processo seletivo do meu curso. Além disso, sou estagiário desde o meu primeiro período da universidade e o projeto de iniciação cientifica que desenvolvi junto ao meu orientador foi aprovado há poucos dias.

Em pouco mais de um ano da minha vida acadêmica fiz tudo o que pude para conseguir ver sentindo em minhas escolhas. Tento me destacar, mesmo tendo em mente que alguns de meus colegas tiveram uma formação melhor que a que eu tive. Não compito como meus colegas, sei que o mundo é muito maior do que as 30 e poucas pessoas da minha sala. Este mini mundo só faz criar distância entre as verdades do mundo capitalista para vivermos uma utopia. Que bom que é assim!!

Eu sei que isso pode parecer coisa boba, para você que já passou por isso ou que acha que dramatizo demais. Talvez você tenha razão! Mas eu não me importo com tuas razões quando elas não são abertas as gentilezas de perceber o outro. E, sabendo de tudo isso, não posso afirmar que estou feliz.

Me disseram, certa vez, que quando alcançamos um sonho é necessário criar outro, e assim por diante. A única coisa que não me disseram é que existem sonhos impossíveis, como conquistar o amor de um pai. É como o tic tac do relógio que só se faz ser ouvido quando se mais precisa do silêncio. Ele está lá para te lembrar que a vida se dilui em momentos voláteis, que fazem questão de grifar a rejeição através das coisas do cotidiano.

Tenho 21 anos. Agora sou considerado um adulto pela sociedade e pelas leis do meu país. E estou longe de ser um cara perfeito. Sim! Eu sou vítima pela falta de discernimento do meu pai, mas estou longe de ser vítima da vida! Quem comanda o leme da minha vida sou eu! E hoje eu me sinto incompleto, pois as minhas conquistas me engrandecem pela metade (a outra parte se perde tentando abraçar o meu pai). Talvez ele nunca reconheça ou se orgulhe de mim. Talvez ele nunca me entenda ou me culpe pelas coisas ruins que já lhe aconteceu.

Tenho 21 anos... Sou adulto? O que sei é que sou órfão de pai vivo. Tentando construir amor próprio após ser rejeitado e humilhado. Tentando não ser metade de mim mesmo.

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