Cidades e vilões

Minha intuição se revela hoje como prelúdios de agouros. Fados são cantados sob o negro da noite enquanto as estrelas são ofuscadas pelas brumas deste inverno de solidão. Enquanto isso a relatividade mescla-se com a racionalidade. Teorias mesclam-se com o pragmatismo. E o que somos nós no meio de tudo isso?

São sempre intempestivas as revelações que nos são proferidas. São tão fortes que nos causam náuseas e, muitas das vezes, expurgamos entre lágrimas e soluços, nossa indignação por sermos tão medíocres. Mas há uma beleza em percorrer o caminho do desconhecido... por quantos de nós mesmos já tevemos a oportunidade de nos depararmos no cotidiano?

Dizem que há uma importância em se auto entender por caminhos um tanto conturbados. Eu acredito que isso seja importante. Mas, as respostas que nos dão são capazes de te satisfazernos por completo? Se houve algo “alá Freud” que nos motivou a ser quem somos, eu te pergunto onde se encontra os seres que somos hoje? Pois a revolta pode ter motivado certos caminhos, mas o como caminhamos por ele deve ter importância, não?

Doce é o perfume que sinto ao te perceber por perto, mesmo que em pensamento. A ligação entre as pessoas não é algo simplesmente ocasional, mesmo quando tenha surgido através de um possível acaso. A cumplicidade, o carinho, a vontade de ser melhor e de completarmos um nos outros não faz referência à um passado, são reflexos, acima de tudo, do cuidado que temos em construir algo nosso.

Não sei aonde tudo isso se findará. Confio no meu amor, contudo. Sei que nestas cidades não somos vilões, afinal talvez eles nunca existiram nesta cidade... são apenas histórias para ajudar-nos a não perder o fio da vida, e não assustarmos ao percebermos que apesar de todos os pesares, somos verdadeiros heróis ao cruzar esses mares todos e poder dizer com um sorriso no rosto o “eu te amo”.

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