O teatro do desapego

Parte 1. Fenecer

Meu caro, esta voz que te condena
poderia ser os agouros que as bridas
do inseguro trouxeram, acomodadas
e contidas, na noite que não encena

Eu não devo cair na indiferença
quando as pétalas das tuas feridas
tornam-se amalgamas transvestidas
de palavras borradas em descrença

por isso, sobre um porém lhe falo
posto que a vida não é um vaso vil
de desmedidas idéias do vazio

e cujo silêncio tenta romper o elo
da inconstância que presencio
e então, não ser mais este luzidio

Parte 2. Asilar-se

Porém se o canto soar infinito,
e partirem os proscritos prazeres
quando os dos teus anjos apeares:
meu pedido cingir, é o que cogito

Mas não espere um castelo já visto
pois, por aqui, não há super-poderes
nem perfeição, nem bons talheres:
vivo entre o que sonho e o que sinto

Não é formado de promessas vagas
tampouco de eternidades pacificas
os meus tortos versos, digo, suplicas .

São montes das minhas letras gastas
que teimam em criar umas rubricas
e embrenhar tuas partes oníricas

Parte 3. Existir

Quando, enfim, repuser sua fronte
e não mais acolher tal sôfrego luto
você poderá ir além do reduto
deixando da saudade, um monte

Que um reforçado café se apronte
pois um plácido adeus já escuto
tingindo este amanhecer astuto
afaga os pecados do horizonte

Vá! chegou a hora... Você sabe amar
se calhar, escreva a nossa cantiga!
Os ventos a cantarão na terra antiga

Vá! chegou a hora... Você sabe amar
carregue as lições que lhe desobriga
a ser nada além do que lhe condiga

Ame,
Ame,
Ame.

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