Retrato da tua Hipocrisia

Sentimentos que me movem, no momento queria eu estar inerte a tudo. A decepção marca meu rosto. Não sei como agir, nem sei o que pensar, acho que não vou fazer nada, pelo menos por enquanto. Apenas escrevo o que senti, tentei ilustrar como foi o “back” da concepção e da decepção.
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RETRATO DA TUA HIPOCRISIA
TUA MÁSCARA JÁ NÃO É MAIS SUFICIENTE!
POSSO VER O QUE É AGORA!

Acabo de matar uma pessoa. Ainda tenho o cheiro de sangue quente impregnado no meu nariz. Meu corpo está todo manchado de sangue, minhas mãos. As mesmas mãos que o mataram.

Precisei matá-lo, pois no meu mundo egoísta e único, ele já não era mais bem vindo, não o queria mais por perto e não podia simplesmente lhe entregar aquela casa no fim da colina e deixar que morasse lá, que colhesse das macieiras o fruto do teu almoço.

Não houve reação, ele apenas se curvou diante mim, se ajoelhou e disse que me amava muito. Percebi uma lágrima quente tocar a madeira do chão, senti como se ela tocasse meu coração, meu gelado e desumano coração de monstro. Logo sentia a respiração dele torna-se irrequieta, num compasso que anunciava a angustia do encontro com a morte.

Que bonito era o teu rosto, era vivido e carregava os traços de um príncipe indiano, que clamava por ouro e diamantes. Era apenas um jovem homem que cuidava da minha felicidade, mas que agora devia morrer.

Era grato e como confessei segundos antes de matá-lo, ele conseguira cumprir sua tarefa muito bem, mas agora era hora do pagamento e eu sou ruim, tenho uma má índole e o preço de um dia querer entrar no meu mundo, no meu maravilhoso e único mundo é a morte se um dia aqui não mais assim te querer.

Sinto o desespero e uma torrente de lágrimas mancham a alma e a índole do rapaz. Que desterro, infeliz borrador. Não conseguiu manter a honra nos últimos minutos de sua insignificante vida, preferiu trocar a glória da morte honrosa por uma tempestade de desespero.

Sou frio, meu coração é de pedra. Não lhe reservei nem o direito das últimas palavras. Com um sinal sonoro, o mesmo que se usa com desdém às pessoas inferiores, o chamei à atenção. Queria seus olhos nos meus, queria ver o sofrimento nos teus olhos, queria sentir mais intensamente o prazer de tirar a vida de alguém.

Atingi em cheio e com uma força incondicional o meio exato de sua testa com uma pequena pedra que impulsionava meu golpe fatal. Por um segundo ele me olhou intacto, até que percebi uma torrente que quente sangue correr de uma pequena cratera que se abrira na sua fronte.

O olhar do podre servo continuava fixo aos meus olhos. O fiz ficar de pé, armei o arco e o atingi quase que colado ao seu corpo com uma flecha envenenada, bem no peito. Impressionantemente, o verme continuava com o fixo olhar sob minha face. Afastei um pouco mais, e atirei mais uma vez, e outras dezessete vezes. Caia ele com os joelhos no chão. Com o impacto, jorrou sangue de sua testa em mim, sem em nenhum momento desviar seu olhar dos meus olhos. Senti o quente sabor do sangue bem de perto outra vez. Que sensação maravilhosa para um coração como o meu, me senti potente, me senti a maior pessoa que existia.

Quis sentir-lhe sofrer ainda mais, arranquei cada flecha e a cada puxão, era infinitamente prazeroso sentir a fuga do sangue daquele corpo infeliz. Queria mais, minha vontade era de mais sangue, ele continuava com o olhar preso ao meu, lágrimas e sangue não mais se distinguiam naquele rosto.

Com uma grande pedra esmaguei as mãos dele e por fim, arremessei a pedra mesma pedra do primeiro golpe, atingindo-o a cabeça. Ele morre, eu me satisfaço com o banho de sangue que só os deuses tem o direito de ter. Sou um Deus.

Na minha hipocrisia, no meu mundo de tudo poder fazer... Sou egoísta e dissimulador, sou grande e tenho o poder. Não divido nada, com ninguém. Posso tudo, sou dono da verdade e a verdade é aquilo que digo, as leis são aquilo que eu faço. E você não tem as mesmas regalias que eu tenho, você não pode tê-las.

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Não vou mais pensar sobre isso. Queria apenas vomitar minha frustração, te considerava grande, um grande amigo, não um grande dissimulador... vomitei...

Comentários

Kjartan Ragnarsson disse…
Como a dor da decepção pode cravar-se como uma afiada adaga em nosso coração...
Sim, a decepção! Poucas coisas igualam-se a ela na crueldade com que cingem nossa alma, e na voracidade com que destróem nossas certezas...
A decepção enegrece nossa alma, manchando-a para sempre com a terrível tinta do desalento. Sim, pois aquele que decepciona, ode até esquecer que o fez. Mas aquele que é decepcionado não esquece jamais. Como ferro em brasa, ardente em sua vermelhidão sanguinolenta, marca nosso coração como a um boi, impedindo que a sua lembrança se dissolva de nossa memória - e isso porque não somos bons, o que não é ruim. A bondade cobra seu preço, altíssimo, quando a traição bate à nossa porta. Porém, se a traição é pelo menos esperada, decepção não há. O que realmente cauteriza a alma é a traição decepcionante.
Por isso às vezes é melhor deixarmos nossos corações protegidos numa eterna parede do gélido cristal islandês. Poderemos até pecar pela falta de arriscar, mas pelo menos não perdemos coma dor da decepção, que é tão desoladora.
Por isso sentimos que é muito, muito perigoso viver, por um só dia que seja. Se bem que... quem é que realmente vive a vida? A maioria das pessoas não faz nada além de existir.
bioikos disse…
Tbém perdi um amigo, uma pessoa amada...Porém, só depois descobri que quem amava, era somente eu. Descobri que quem se doava, era somente eu. Descobri que a relação de amizade era unidirecional. Somente ai percebi, que amamos quem não nos ama e, amor assim não vale apena...

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