Em busca de um lar para o discordante

Num primeiro instante, daqueles fúlgidos lapsos entre o palpável e o que se imaginou ter sido, percebia apenas o infinito do vazio cavado entre minhas fronteiras. Não me assustava a vertigem de olhar para trás ou a embriagues das possibilidades, apenas tive a reação de caminhar para fora e bem longe das tuas intemperanças.

A necessidade se tornou desejo e embarquei no vazio do instante, mesmo já tendo como vindouro o inverno como os seus sinais perturbadores. As primeiras gotas do desespero posaram nas maças do meu rosto, enquanto meu corpo entendia que os espasmos era a única realidade possível ao se deparar com as agressões veladas.

Neste planeta que confundem com a minha existência, todas as fontes que alimentavam as projeções de boa aventurança se extinguiram abruptamente, mas isso não aconteceu por vontade da coragem ou ímpeto da ira. Afinal, um descontinuado carrega em si a relíquia de honrar promessas, mesmo quando elas não valem nada.

O mais difícil dos passos dessa jornada particular é o do retorno para as minhas origens. Enquanto os momentos que procedem o vazio expandem-se no mesmo ritmo que pontua a virtude das liras dos anos perdidos, a reminiscência de todos os seus sabores insiste em rememorar os tons das cores por aqui.

A essa altura, não cabe contar as várzeas diligentes que fiz naquele espaço chamado de “nós”. Afinal, quando entro em uma batalha travada contra eu mesmo, não há como existir um triunfante: o que carrego são relíquias em modo de traumas das atrocidades conquistadas ou e tratados assinados com o sangue das mutilações vivenciadas.

Não há coisa, prazer carnal ou qualquer outro devaneio mundano capaz de preencher este desocupado espaço que sou. As luzes da utopia se esvaneceram para sempre, cabe agora regenerar-me não pelo gosto amargo dos fracassos, mas pela simples possibilidade de poder me encontrar em um reflexo e gostar do que vejo.



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