segunda-feira, 22 de junho de 2009

Cidades e vilões

Minha intuição se revela hoje como prelúdios de agouros. Fados são cantados sob o negro da noite enquanto as estrelas são ofuscadas pelas brumas deste inverno de solidão. Enquanto isso a relatividade mescla-se com a racionalidade. Teorias mesclam-se com o pragmatismo. E o que somos nós no meio de tudo isso?

São sempre intempestivas as revelações que nos são proferidas. São tão fortes que nos causam náuseas e, muitas das vezes, expurgamos entre lágrimas e soluços, nossa indignação por sermos tão medíocres. Mas há uma beleza em percorrer o caminho do desconhecido... por quantos de nós mesmos já tevemos a oportunidade de nos depararmos no cotidiano?

Dizem que há uma importância em se auto entender por caminhos um tanto conturbados. Eu acredito que isso seja importante. Mas, as respostas que nos dão são capazes de te satisfazernos por completo? Se houve algo “alá Freud” que nos motivou a ser quem somos, eu te pergunto onde se encontra os seres que somos hoje? Pois a revolta pode ter motivado certos caminhos, mas o como caminhamos por ele deve ter importância, não?

Doce é o perfume que sinto ao te perceber por perto, mesmo que em pensamento. A ligação entre as pessoas não é algo simplesmente ocasional, mesmo quando tenha surgido através de um possível acaso. A cumplicidade, o carinho, a vontade de ser melhor e de completarmos um nos outros não faz referência à um passado, são reflexos, acima de tudo, do cuidado que temos em construir algo nosso.

Não sei aonde tudo isso se findará. Confio no meu amor, contudo. Sei que nestas cidades não somos vilões, afinal talvez eles nunca existiram nesta cidade... são apenas histórias para ajudar-nos a não perder o fio da vida, e não assustarmos ao percebermos que apesar de todos os pesares, somos verdadeiros heróis ao cruzar esses mares todos e poder dizer com um sorriso no rosto o “eu te amo”.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Outro Lado

Eu sei... muita coisa passou. Hoje acho que não sou quem esperavas.
Não sou mais o mesmo... não teve jeito, o tempo também por mim passou.
Também por ti ele passou! Foi quando aprendi a ver a tua relíquia.
Se ao menos eu pudesse te dizer, mas me custa acreditar no que vejo.

Pode falar... não há mais em mim aquele encanto indescritível,
Ou aquele conjunto de ingênuos acordes que criamos sobre nós mesmos.
Em algum momento uma idéia etérea fora destruída pela realidade cotidiana,
Ou então até daquilo que mais acreditávamos, perdeu-se em um lugar qualquer.

Mas, eu acho que talvez eu estive muito errado ultimamente.
Andei por ai. Tentei encontrar-te, mas agora vejo que não achei nada.
Devo ter me perdido em algum momento, talvez por desatenção,
ou por algum outro motivo banal. O que dizer? Ou melhor, o que fazer agora?

Será que o acaso quisera apenas passar seu tempo a pentelhar um desventurado?
Deram-me flores perfumadas, que recebi com muita cautela. Tive medo!
Mas, aos poucos fui me abrindo para aquele delicioso perfume de palavras.
E eu, entorpecido por tanta beleza, caminhei no Olímpio. Sorri, enfim...

De fato, aquelas flores não tinham espinhos. Eram belas e de suaves cuidados.
Foi então que a integridade de um sonhador banhou-se na fonte da esperança.
Mas apenas até retomar à realidade e perceber que entrava em um pesadelo...
E teimar com o intocável, não é mais algo que sinto ser possível.

Enfim...
Sair por ai já não basta mais para mim,
afinal, não vou encontrá-lo.
Talvez?

terça-feira, 2 de junho de 2009

Conhecer-se e quase ter um ataque dos nervos

Aviso:
Este texto pode ser literal ou metafórico ou as duas coisas ou ainda uma outra qualquer...

Eu acho que sou um rapaz que sempre buscou se alto criticar no intuito de buscar “auto-conhecimento”, ou, perceber-me minimamente. Às vezes, eu sei, até exagero um pouco. Contudo, mesmo assim, deparo-me ao olhar-me nos espelhos da vida com uma figura que de nada me agrada.

Quando isso acontece, num primeiro momento, evidentemente, o alvo é o aparente, afinal, estamos falando de olhar-mos nos espelhos. Depois dessa primeira impressão, que é por si só um tanto traumática quando o que se vê não é em nada o desejável, tento continuar os meus afazeres como se nada tivesse acontecido, mas o meu mundo particular ganha outra perspectiva mesmo eu buscando cuidar do meu cotidiano da forma mais pragmática que é possível.

Mas, confesso que não dá muito certo: são as roupas que parecem não cair bem, as fotos recém tiradas onde o rosto pode ser muito bem confundido com uma bola de basquete, e, pior de tudo, ainda tenho que escutar pérolas que só te faz pensar exatamente o contrário do que se foi dito ou pensar que a pessoa ou tem problema nas vistas ou está tentando ser “simpática”.

Para completar o quadro, ao pensar que poderia tomar uma postura efetiva para reverter uma situação como essa (que me causa muita chateação e irritação, por sinal) eu sempre acabo no discurso do bom crítico e péssimo “executador de melhorias”... E, pior! Isso é quase como um ciclo vicioso de um auto-flagelador, pois, se no princípio, era o físico que não agrada, o cotidiano torna-se uma briga ferrenha minha contra eu mesmo em quase todos os aspectos.

Veja bem, eu nunca fui de me preocupar com a forma física, na verdade, meus cuidados são voltados muito mais para saúde. Mas, hoje o que me irrita mais são as minhas atitudes que cominaram nessa insatisfação... atitudes de um rapaz que tanto presa a consciência mínima de si mesmo e percebe-se jogado a um cotidiano caótico transformado por ele mesmo.

 

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