Um Pintor de Mundo


Nunca encontrei em tão pouco tempo tantos personagens como estes últimos dias. Tenho um pouco de medo das corredeiras desta vida, este medo nasce no momento em que me fica evidente que até os mais eruditos podem se tornar bitolados. Ao mesmo tempo me nasce a coragem de tentar ser um pintor de mundos.

Tive vontade ontem, ao ver fotografias desse lugar chamado mundo, de correr por ele e olhar nos olhos das pessoas e à algumas delas oferecer o meu abraço afetivo, posto que nada além disso poderia oferecer para que substancialmente mudasse a vida delas, mas talvez o que precisamos sejam de sorrisos e abraços sinceros... seja encontrar no acinzentado mundo as cores e as sonâncias perdidas das cores para reavivá-las. Quando eu olho as cores e percebo tanta luz, tanta força, tanta brutalidade no ato de tentar viver que me espanto com a força de algumas almas, almas estas envasadas em mulheres, homens, crianças e animais... vasos que suportam as misérias e ainda olham nos olhos com o sorriso da perseverança e dizem ser alegres, mesmo quando falta os dentes de sua boca e as palavras corretas do dicionário, mas elas mostram-me como é este mundo... sei lá, acho que abri os olhos. Eu sei que cada um sabe a dor de ser quem é e não seria justo comigo mesmo neste momento dizer que a dor que às vezes sinto não passa de uma ilusão, mas olhar para algumas pessoas, algumas pessoas tão iguais a mim, a enfrentar situações tão penosas e tristes me vem à cabeça duas coisas: a vontade de ser melhor e de nunca me esquecer que eu sou capaz de olhar para qualquer dificuldade e enfrenta-la com um sorriso no rosto.

E nesses dias, quando volto á minha prerrogativa, lembro-me de inúmeros personagens que criei e adaptei para um dia habitar os quartos do meu castelo. Impressiono-me com tantas historias que, de um modo ou de outro, vivem em minha cabeça... histórias diferentes, de pessoas e de animais e também de seres não tão bem definididos... espero um dia poder ter a capacidade de passar para o papel real um pouco destes devaneios e então compartilhar com aqueles que quiserem me dar a honra e o privilégio de lhes apresentarem um pouco de vários eu’s que nem eu os conheço bem.

Talvez hoje entendo-me melhor minhas atitudes... pois não importa necessariamente desvendar se o meu começo era o verbo ou o caos, nem o fim será o pó e a escuridão... o que tenho hoje são as cores... amanhã o fim pode ser o mesmo que o começo... mas o hoje, eu procuro espraiar e pensar com mais suavidade e delicadeza... eu procuro ver as cores! As vezes não sei se o que sou se assemelha mais a um anjo ou a um demônio, apenas busco ser correto comigo mesmo e atento ao mundo para tentar colocar um pouco mais de cor onde eu possa colocar...

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