Leve Desespero

Leve desespero, as coisas são mais difíceis quando o que você quer não tem nome, não tem cor, não se sabe o que é e que gosto tem.
Sinto sua falta, hoje mais do que nunca. As coisas podiam ser diferentes se não errássemos tanto e o mundo rodasse em outra órbita.
Doze pequenos anjos de junho, no céu estrelado de quase inverno triste e solitário. Quanto sono, vontade de me acabar na cama do fim do filme da vida.
São tantas as cores e as palavras, que me confundo. Não sei mais se há algo além de mim. Não consigo te ver, te sentir... nem sei mais se vivo está.

Às vezes me escondo, não tenho alternativa à não ser me esconder atrás de algo que não sou. Você não me entenderia, você já não entende nem aquilo que te mostro, como posso esperar de ti algo mais que o companheirismo do passado plácido e podre?
Acho que eu não sou a essência de mim mesmo. Sou a máscara que querem que eu seja. Sou pequeno e desesperado, você me vê ascender e extremamente calculista. Quem é você?

Você é qual alma penada? E porque está aqui a me atormentar dessa forma? O que lhe devo, é a minha vida que quer?

Ainda estou desesperado, ou será que sou desesperado? Queria ter chão, queria ter paredes e um teto, mesmo que este fosse de vidro. Mas tenho asas e vôo para onde bem entendo ir, mas meus fantasmas me perseguem, eles vivem dentro de mim e não consigo expulsá-los de mim, acho que dependo deles mais do que eles dependem de mim. Acho que vivo por ser alimento de fantasmas e de sentimentos de mármore imortal.

Porque a chuva de desespero dilapida meu coração dessa forma? A função das lágrimas do céu deveria prodigalizar as montanhas de barreiras, não o coração de quem tenta amar e ser feliz... São de momentos que se vive, e os meus não estão sendo menos do que desesperadores.

Continuo caminhando, mesmo que a luz do portal do comedimento pareça estar ainda mais distante... ontem mesmo, parecia eu estar quase para atravessá-lo, hoje não vejo mais que um insignificante e fraco ponto de brilho.

Sou um sórdido açougueiro de corações, por favor, tenha cuidado, acho que estou amaldiçoado por um sentimento que não é de mim e pode padecer em ti, no seu coração.
Fui pueril demais em pensar que poderia trazer um pouco de esperança para o teu coração, fui mais ingênuo ainda em pensar que meu amor seria visto como ele é: puro, simples e verdadeiro, ele não é embalsamado no austero sentimento do pesar.
Fui imprudente, e me titularam de egoísta por querer saber o que se passa no coração daquele que tenho apego e, por estar desesperado, tropecei nos minhas próprias palavras.

Estou desesperado e sinto sua falta. Preciso de você muito mais do que imagina.

Se de ti não posso ter aquilo que quero, vou me conformar e prometo ser complacente até onde agüentar. Só não me pesa para não sentir apego a ti, não me pesa para não me preocupar contigo. Se minha presença te aflige, não quero mais existir, mas não me pesa para não saber como tem passado.
Ainda há esperança, não somos feitos de números e nossas vidas não dependem de datas e contagens regressivas... Se há alguma certeza nesse mundo, não é para nós o existir dela. Não me faça ajoelhar defronte ao desespero, o fardo está pesado, e meus joelhos estão cansados e doem muito, ela parece estar me vencendo, me ajude, por favor, não me deixe... não me deixe.

Comentários

Anônimo disse…
Que Arlequim é esse que faz triste a fronte do poeta?
Que Arlequim é esse que celebra a morte mais que a própria vida?
Que Arlequim é esse que pode se contentar com o descontentamento alheio?
Não. Este não é um Arlequim. Pois, um Arlequim verdadeir alimenta sua alma do sorriso, da risada gostosa, da gargalhada escandalosa.
Anjo, ajuda a encontrar o verdadeiro Arlequim. Volta suas bênçãos ao pobre e triste Arlequim. Porque só assim, pode viver um Arlequim. Ele precisa de você, não desista. Não esmoreça, Anjo. Seu sorriso aquece o coração do Arlequim. Sei que se vê tatuado no rosto dele uma lágrima, que seja uma lágrima de alegria, pois se chora de felicidade. Volta... por favor, Anjo... volta.
Fab disse…
Que desabafo... Viver sob tantos entraves, num labirinto, onde a saída é quase um elo perdido, na busca de sentido para se manter de pé. Senti-me assim por alguns instantes, pensei em momentos vividos e sentimentos contidos em meu ser e nesses instantes imaginei que eu mesmo haveria de ter escrito tudo isso.
Me senti por um segundo, emergindo nas águas de um rio, amarelo e gélido, sendo arrastado por uma correnteza voraz, à espera, nos minutos que me restariam, de ser salvo por um único ser, racional, pedaço de mim, que ficara à margem, talvez à terceira margem de um rio chamado Vida.
Marcelha disse…
Estou sem palavras...
Sabe?! As vezes as palavras nos fogem como que querendo brincar de esconder, é nessa hora que nos resta o silêncio.
E que meu silêncio possa lhe dizer algo...

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